BRASIL – Ministro da Fazenda afirma que diretora-geral do FMI pretende apresentar cronograma para revisão das cotas de países emergentes.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou que a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, expressou a intenção de apresentar um cronograma para a revisão das cotas de cada país emergente para o fundo, incluindo o Brasil. Essa declaração foi feita após uma reunião entre o ministro e Georgieva durante a reunião anual do FMI em Marrakech, no Marrocos.

A revisão das cotas dos países-membros é um dos principais tópicos dessa reunião e Georgieva já mencionou a necessidade de avançar nas discussões sobre o aumento dos recursos da cota permanente do FMI, com o objetivo de chegar a um acordo até o final deste ano. Haddad comemorou o fato de Georgieva ter aberto a possibilidade de apresentar um cronograma rígido, o que ele considera um avanço positivo.

Haddad afirmou que o Brasil tem uma posição histórica quanto ao princípio da proporcionalidade entre os países-membros e que questões conjunturais não deveriam afetar essa premissa. Ele alertou que romper com esse princípio pode levar a perda de legitimidade e apoio do FMI no médio e longo prazo.

O FMI considera as contribuições dos países-membros como o alicerce da estrutura financeira e de governança da organização. As cotas são revistas a cada cinco anos e levam em conta a posição de cada nação entre as economias nacionais e determinam o poder de voto nas decisões do fundo. O último processo de reformas nas cotas foi concluído em 2010 e em 2020, outro ciclo de revisão terminou sem alterações. O atual processo de revisão está previsto para ser concluído até dezembro deste ano.

Além disso, Georgieva solicitou que o Brasil faça novos aportes ao Fundo para Redução da Pobreza e Crescimento (PRGT), que financia empréstimos sem juros a países pobres. Ela afirmou que está buscando ampliar a família de contribuintes do PRGT e que atualmente 40 países-membros contribuem financeiramente para o fundo.

Haddad não mencionou valores específicos, mas destacou a importância do apoio aos países pobres em meio à crise da dívida e ao aumento das taxas de juros. A reunião entre o ministro e Georgieva demonstra a importância do Brasil no contexto das discussões sobre as cotas e a ajuda aos países mais vulneráveis.