BRASIL – “Estudantes da USP em greve voltam a se reunir com reitoria para discutir pauta de reivindicações e demandas estudantis”

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) estão em greve e se reuniram novamente nesta terça-feira (10) com representantes da reitoria para discutir suas reivindicações. Os estudantes estão focados principalmente na contratação de docentes e na reativação do gatilho automático, que permitia a contratação de um professor substituto em caso de aposentadoria, exoneração ou morte de outro professor. Além disso, eles pedem aumento das bolsas de estudo para permanecerem na universidade e melhorias no acesso de estudantes indígenas.

De acordo com a Associação de Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), a instituição de ensino tinha cerca de 6 mil professores em 2014, número que caiu para aproximadamente 4,9 mil em 2023. Isso representa uma redução de 17,5% no quadro docente da USP entre 2014 e agosto de 2023. A Adusp também divulgou dados que mostram um aumento significativo no número de cursos de graduação, vagas na graduação, estudantes matriculados na graduação e pós-graduação, e títulos de mestrado e doutorado.

A presidente da Adusp, Michele Schultz, argumenta que as cerca de 800 contratações de professores anunciadas pela reitoria não são suficientes para suprir a demanda da universidade. Ela ressalta que desde janeiro de 2022, 305 professores deixaram a universidade devido a aposentadoria, exoneração ou outros motivos. Diante desses dados, a Adusp convocou uma assembleia para esta tarde, na qual os estudantes irão avaliar as negociações com a reitoria e decidir se a greve será suspensa ou continuará.

O reitor Carlos Gilberto Carlotti divulgou um vídeo no dia 4, no qual aborda questões relacionadas ao orçamento da universidade, contratação de docentes, programa de permanência estudantil, melhorias no alojamento estudantil e uniformização do funcionamento dos restaurantes universitários. Carlotti menciona que tem estudado o impacto financeiro nos próximos 4 anos e que tomou decisões com o conhecimento e aprovação da Comissão de Orçamento e Patrimônio e do Conselho Universitário.

Entre as ações mencionadas pelo reitor, estão a reposição salarial para os funcionários, implantação de um plano de saúde, início da reposição do quadro docente e de servidores e a possibilidade de contratação de professores temporários até a nomeação dos definitivos. Carlotti informa que a USP irá admitir 1.027 novos professores, somando as vagas já destinadas, e que a Pró-reitoria de Graduação acompanhará o processo de distribuição das vagas para evitar que disciplinas obrigatórias deixem de ser ministradas.

Diante dessas informações, os estudantes e a reitoria da USP estão em processo de negociação para encontrar soluções para as demandas estudantis. A assembleia desta tarde será decisiva para definir os próximos passos da greve.