
BRASIL – Número recorde de empregadores é incluído na Lista Suja do trabalho escravo, com destaque para famosa cervejaria Kaiser.
Entre as empresas inclusas na lista, um dos destaques foi a cervejaria Kaiser, ligada ao Grupo Heineken no Brasil. Essa inclusão chama atenção, já que a empresa possui um grande apelo social junto ao público brasileiro. A lista completa pode ser conferida no site do Ministério do Trabalho e Emprego.
Dentre os setores com maior número de empregadores incluídos na lista, destacam-se a produção de carvão vegetal, criação bovina, serviços domésticos, cultivo de café e extração e britamento de pedras. Já em relação às unidades da federação, Minas Gerais registrou a maior quantidade de casos, seguida por São Paulo, Pará, Bahia, Piauí e Maranhão.
A Lista Suja revela que, ao todo, 473 empregadores submeteram 3.773 trabalhadores a condições análogas à escravidão. A Inspeção do Trabalho no Brasil já resgatou mais de 61 mil pessoas nessas condições desde 1995, segundo o site do Ministério do Trabalho e Emprego. A diferença entre os números se dá pelo fato de que, para entrar na lista, é necessário esgotar os recursos administrativos contra o auto de infração aplicado pelos fiscais.
De acordo com a vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores de Trabalho (ANPT), Lydiane Machado e Silva, o aumento da pobreza nos últimos anos, especialmente devido à pandemia, e o apoio do novo governo à fiscalização contra o trabalho escravo explicam o recorde no número de novos empregadores. Ela ressalta que a vulnerabilidade econômica torna as pessoas mais suscetíveis às promessas de emprego que não respeitam a legislação brasileira.
As condições precárias de trabalho nesses casos são marcadas por alojamentos insalubres, falta de banheiros adequados e alimentação sem armazenamento adequado. Além disso, tem se observado um aumento no resgate de mulheres submetidas a essas condições no trabalho doméstico, onde são isoladas em quartos dos fundos e privadas de uma convivência social adequada.
Em relação à inclusão da Kaiser, o Grupo Heineken afirmou, em nota, que foram surpreendidos pelo caso e que tomaram todas as medidas necessárias para garantir os direitos dos trabalhadores envolvidos. A empresa também destacou a necessidade de avançar na checagem do cumprimento das regras em seu Código de Conduta.
Diante desse recorde na inclusão de empregadores na Lista Suja do trabalho escravo, a procuradora Lydiane Machado ressalta a importância da sociedade brasileira saber o que está acontecendo em suas cadeias produtivas. Ela questiona por que empresas tão grandes não entendem que também têm responsabilidade sobre sua cadeia produtiva e o que pode ser feito para garantir a eliminação dessas práticas.









