BRASIL – Iphan utilizará recursos do PAC para finalizar obras de recuperação de patrimônios históricos tombados até 2026.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) anunciou que pretende utilizar os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deste ano para concluir 138 projetos ou obras de recuperação de patrimônios históricos tombados até 2026. Além disso, o Iphan planeja lançar um edital para a elaboração de 100 novos projetos.

O PAC, lançado neste ano, destinou R$ 1,3 bilhão para ações do Ministério da Cultura. Desse valor, R$ 737 milhões foram direcionados ao Iphan para a realização de ações de recuperação e promoção do patrimônio cultural do país.

O patrimônio cultural é composto por monumentos, sítios arqueológicos e manifestações culturais que representam a identidade e memória de um povo, podendo ser material, como igrejas e construções históricas, ou imaterial, como manifestações religiosas e festivas.

Ao todo, 17 estados serão beneficiados pelos 138 projetos. Minas Gerais é o estado com o maior número de projetos, contando com 54, seguido por Pernambuco, com 12 projetos, Maranhão com 11, Rio Grande do Sul e Paraíba com 9, Sergipe com 8 e Rio de Janeiro com 7. Essas obras fazem parte do PAC Cidades Históricas, lançado em 2013, e que não foi concluído devido à falta de recursos.

Entre os projetos a serem realizados, destaca-se a restauração do local que abriga o Bembé do Mercado, importante manifestação religiosa afro-brasileira que ocorre em Santo Amaro, na Bahia. Em Ouro Preto, em Minas Gerais, serão restauradas cinco igrejas e quatro capelas, incluindo a Igreja de Bom Jesus de Matozinhos e a Igreja de São Francisco de Assis. No Rio de Janeiro, a restauração será do Palácio Gustavo Capanema, que já foi sede do Ministério da Educação e Cultura, e do Museu da República e seu Jardim Histórico. Em Olinda, em Pernambuco, também tombada como patrimônio histórico e cultural, o PAC irá restaurar a Igreja de São Pedro e o Mosteiro de São Bento, entre outros prédios históricos.

De acordo com o diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Schlee, o PAC permite incluir o patrimônio na agenda de desenvolvimento nacional, reconhecendo que ele contribui para a construção do país e gera empregos e desenvolvimento.

Além desses 138 projetos, o Iphan lançará um edital, no dia 9 de outubro, com R$ 37 milhões para a seleção de 100 projetos de recuperação de bens materiais tombados ou para o fortalecimento de bens imateriais registrados como patrimônio federal. O edital ficará aberto até 10 de novembro para que governos estaduais, municipais e instituições públicas locais de preservação do patrimônio possam propor projetos.

O presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou que a intenção é priorizar projetos com impacto social e construções em estado mais crítico, ou seja, que possuam função social e cultural e que tenham boas ideias de manutenção e conservação do patrimônio. Os recursos de R$ 37 milhões serão suficientes apenas para a elaboração dos projetos, sendo necessário buscar recursos adicionais através do orçamento da União, emendas parlamentares, Lei Rouanet ou parcerias com estados e municípios.

Outra iniciativa liderada pelo Iphan é o programa de assistência técnica gratuita para moradores de centros históricos, que já está em andamento em 20 cidades históricas do país. O objetivo é auxiliar na preservação de casas localizadas em sítios históricos e para isso, o Iphan destinou R$ 30 milhões. O instituto está trabalhando em parceria com institutos e universidades federais para identificar as residências que precisam de assistência técnica, como recuperação de fachadas, telhados, sistemas hidráulicos ou elétricos.

Leandro Grass ressaltou que esse programa é uma forma de popularizar o patrimônio cultural e enxerga o patrimônio como um instrumento de desenvolvimento nacional. Ele afirmou que o Iphan já definiu junto aos moradores quais imóveis necessitam de assistência técnica e acredita que essa iniciativa trará benefícios para as comunidades.