
BRASIL – “Haitianos obrigados a aceitar forças estrangeiras para restaurar a ordem, como medida da ONU diante da escalada da violência”
Charles Adison, um dos moradores dos acampamentos na capital Porto Príncipe, reconhece a necessidade da intervenção internacional, embora acredite que a independência do país seja comprometida com a presença de forças militares estrangeiras. “Mas, dada a situação atual, somos obrigados a aceitá-la”, afirma ele. A insegurança é tão grande que muitas pessoas são forçadas a dormir nas ruas, com medo de retornar às suas casas.
A busca por ajuda das forças militares estrangeiras não é recente. Há aproximadamente um ano, o governo não eleito do Haiti solicitou urgentemente apoio internacional. No entanto, somente em julho deste ano é que o Quênia se tornou o primeiro país a propor liderar essa força. Agora, com a autorização do Conselho de Segurança da ONU, finalmente há uma perspectiva de solução para a crise.
Apesar do apoio geral à intervenção internacional, alguns haitianos mostram-se cautelosos. Jean Remy Renald, que vive em um acampamento na escola Colbert Lochard, apoia a força se ela seguir um plano sólido, mas questiona a transparência dos líderes haitianos e relembra dos abusos cometidos em missões anteriores da ONU. Ele destaca que os militares estrangeiros têm histórico de abusos sexuais e de deixarem problemas, como o surto de cólera que matou quase 10 mil pessoas após a missão da ONU no Haiti entre 2004 e 2017.
A entrada das forças estrangeiras é vista como uma possibilidade de retomar a normalidade e permitir que os haitianos possam retornar para suas casas. Neptune Dieudonne, que reside no acampamento improvisado no Rex Theatre, demonstra otimismo ao dizer que, se os militares fizerem o trabalho conforme prometido, será muito bom para a população.
A situação atual no Haiti é angustiante e a crise humanitária exige ação imediata. A ONU estima que a entrada das forças estrangeiras é necessária para ajudar a restabelecer a ordem e proteger a população haitiana. No entanto, é importante que essa intervenção seja realizada com responsabilidade e transparência, garantindo a segurança e o respeito aos direitos humanos. A histórica experiência do país com missões anteriores da ONU serve como um alerta para que erros não se repitam. A esperança é de que a intervenção atual seja o início de uma mudança positiva e duradoura para o Haiti, trazendo paz e estabilidade para os haitianos que tanto necessitam.









