BRASIL – Comissão de Constituição e Justiça aprova PEC que limita decisões monocráticas e pedidos de vista no STF

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou por unanimidade nesta quarta-feira (4) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa limitar as decisões monocráticas e os pedidos de vista dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A PEC, intitulada de PEC 8/2021, proíbe as decisões monocráticas que suspendam a eficácia de leis ou atos normativos com efeito geral, assim como a suspensão de atos dos presidentes da República, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Além disso, também fica proibido o uso de decisões monocráticas para suspender a tramitação de propostas legislativas, afetar políticas públicas ou criar despesas para qualquer poder.

A proposta também restringe os pedidos de vista, limitando-os a um caráter coletivo e estabelecendo prazos de seis meses, e caso haja uma renovação excepcional, de três meses. Caso o prazo não seja cumprido, o processo será automaticamente incluído na pauta, com preferência sobre os demais.

Vale ressaltar que as decisões monocráticas são aquelas tomadas por apenas um magistrado e, por sua natureza, são decisões provisórias que precisam ser confirmadas pelo conjunto dos ministros do STF. Já o pedido de vista ocorre quando um ministro solicita mais tempo para analisar um tema em julgamento, suspendendo temporariamente a análise do processo.

No entanto, a PEC prevê que em casos de grave urgência ou risco de dano irreparável quando o STF estiver em recesso, será permitida a decisão monocrática. No entanto, o Supremo terá até 30 dias para julgar o tema após a retomada dos trabalhos.

A proposta também estabelece um prazo máximo de seis meses para o julgamento das ações cautelares para controle abstrato de constitucionalidade. Após esse prazo, a ação terá prioridade na pauta do STF.

Essa PEC tem sido objeto de discussões entre os parlamentares, e o relator da matéria, senador Espiridião Amim (PP-SC), argumentou que as mudanças propostas não afetam as prerrogativas dos ministros do STF. Ele afirma que não se está impedindo que os membros do tribunal exerçam sua prerrogativa de pedir vistas, mas sim trazendo um regramento e uma racionalização desse instituto. Além disso, segundo Amim, estudos indicam que as decisões monocráticas se tornaram bastante comuns no STF.

Essa proposta também recebeu o apoio de juristas, como Diego Werneck e Leandro Molhano, que alertaram para os excessivos poderes monocráticos e os ilimitados pedidos de vista dos ministros do STF. Esses juristas ressaltaram que essas práticas muitas vezes colocam esses magistrados como atores capazes de influenciar a arena política.

A PEC agora seguirá para a análise e votação do Plenário do Senado. Se aprovada, a proposta terá impactos significativos na forma como o STF toma suas decisões, limitando as decisões monocráticas e os pedidos de vista dos ministros do tribunal.