BRASIL – Ministros liderados por Geraldo Alckmin desembarcam em Manaus para avaliar impactos da seca e incêndios na Amazônia.

Uma comitiva de ministros desembarcou em Manaus nesta quarta-feira (4) para verificar a situação da forte seca e dos incêndios que atingem o Amazonas e outros estados da Região Norte. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, lidera a equipe. A intenção é verificar, in loco, a questão da seca na Amazônia, que afeta não só o estado do Amazonas, mas também Rondônia e Acre.

Além de Alckmin, os ministros Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Waldez Góes (Desenvolvimento Regional), Sílvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Alexandre Silveira (Minas e Energia), José Múcio Monteiro (Defesa) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) estão presentes na comitiva. Também participam da visita a secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, e representantes de outros ministérios.

Durante a visita, a comitiva irá se reunir com autoridades locais, como o governador Wilson Lima e prefeitos, além de visitar comunidades afetadas e conversar com lideranças locais, empresários e representantes da sociedade civil. Um sobrevoo pela capital amazonense também está previsto.

No momento, 23 municípios do Amazonas estão em situação de emergência devido à seca. Outros 35 estão em situação de alerta, dois em atenção e dois em normalidade. Em Manaus, a vazante do Rio Negro está atingindo níveis baixíssimos, e as queimadas no entorno da cidade estão cobrindo-a de fumaça. A prefeitura já antecipou o fim do ano letivo das escolas ribeirinhas do rio Negro.

Os moradores das zonas ribeirinhas e rurais estão enfrentando dificuldades de acesso a alimentos e água potável. O governo federal está realizando ações para atender a população, como a distribuição de alimentos, água potável e combustível. O Ministério da Saúde enviará kits de medicamentos e primeiros socorros, e as Forças Armadas irão auxiliar na logística de distribuição.

A seca na Amazônia é causada pelo fenômeno El Niño, que aumenta a temperatura das águas superficiais do oceano na região do Pacífico Equatorial, e pelo aquecimento do Atlântico Tropical Norte, que inibe a formação de nuvens, reduzindo o volume de chuvas na região.

Além da seca, a região também está enfrentando um grave impacto ambiental. Mais de 100 botos cor-de-rosa e tucuxis já morreram nos últimos dias devido ao calor e à seca histórica dos rios. As causas dessas mortes estão sendo investigadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e outras instituições.

Durante a visita dos ministros ao Amazonas, o governo federal irá assinar uma ordem de serviço para a dragagem do Rio Solimões, entre Tabatinga e Benjamin Constant, e outra para a dragagem de uma faixa de 12 km na foz do Rio Madeira. Essas obras visam melhorar o fluxo de navegação na região e garantir o escoamento de produtos.

A seca também impactou a geração de energia na Região Norte. A Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, teve suas atividades suspensas temporariamente devido à baixa vazão do Rio Madeira. Essa hidrelétrica é uma das maiores geradoras de energia do Brasil, e seus níveis de vazão estão 50% abaixo da média histórica.

A visita da comitiva de ministros é uma medida emergencial para avaliar a situação da seca e dos incêndios na Amazônia e buscar soluções para a crise ambiental e humanitária que a região está enfrentando. Ações como a distribuição de alimentos, água e combustível, a elaboração de planos de ajuda humanitária e a dragagem de rios são essenciais para garantir a segurança e o bem-estar da população local.