
BRASIL – “MST realiza 6ª edição do evento ‘Mil Guitarras para Víctor Jara’ em homenagem ao cantor e militante chileno assassinado pela ditadura”
Cecília Concha Laborde, cantora chilena que se apresentou no evento, relembrou as razões pelas quais as canções feitas pelo povo se tornam perigosas para o poder autoritário. Segundo ela, as canções recuperam e valorizam a real identidade dos povos, o que confronta o objetivo de uma ditadura, que é adormecer a população. O cantor Víctor Jara foi espancado e assassinado cinco dias após ser preso em setembro de 1973. Seu corpo foi encontrado com vários ossos quebrados e 44 marcas de bala.
A ditadura chilena, uma das mais sangrentas do continente, deixou cerca de 40 mil mortos. Cecília Concha Laborde também destaca outros cantores representantes da Nova Canção, movimento musical que surgiu na década de 1960 como forma de denúncia social e valorização do folclore latino-americano, como Violeta Parra, Dércio Marques e Alí Primera.
Uma das composições mais conhecidas de Víctor Jara, “Te Recuerdo Amanda”, foi gravada por artistas como Mercedes Sosa e Ivan Lins. O evento em São Paulo, que homenageia o cantor chileno, foi organizado pela rede Dandô, Circuito de Música Dércio Marques, que reúne músicos de diferentes regiões do Brasil e promove encontros, trocas e reflexões através da música e outras expressões artísticas.
Katya Teixeira, integrante da rede Dandô e organizadora da homenagem a Víctor Jara, ressalta o compromisso em comunicar o que acontece no ambiente social atual. Segundo ela, a música é uma ferramenta poderosa para transmitir mensagens, pois facilita o seu entendimento. A cantora chilena Cecília Concha Laborde também enfatiza a importância de que mensagens de resistência e luta permaneçam atuais, principalmente entre os mais jovens. Ela destaca que, apesar dos 50 anos desde o golpe, ideias fascistas e discriminatórias ainda persistem e é fundamental continuar lutando pelos valores dos direitos humanos, diversidade e liberdade.
O evento Mil Guitarras para Víctor Jara reafirma a memória do cantor e sua luta pelos ideais de justiça social e igualdade, além de servir como um espaço de encontro e reflexão sobre os desafios enfrentados pela América Latina e pelo mundo. A música continua sendo uma arma poderosa contra o autoritarismo, capaz de transmitir mensagens de resistência e inspirar a busca por um mundo mais justo e igualitário.









