BRASIL – “Déficit primário do setor público melhora em agosto, com aumento da arrecadação dos governos regionais, segundo Banco Central”

No mês de agosto, as contas públicas apresentaram um saldo negativo, porém com uma melhora considerável em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o Banco Central, o setor público consolidado, que engloba União, estados, municípios e empresas estatais, registrou um déficit primário de R$ 22,830 bilhões em agosto de 2023, em comparação com o déficit de R$ 30,279 bilhões em agosto de 2022.

Ao analisar os dados dos últimos 12 meses, encerrados em agosto, o déficit primário acumulado foi de R$ 73,071 bilhões, correspondendo a 0,70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No ano de 2022, as contas públicas tiveram um superávit primário de R$ 125,994 bilhões, equivalente a 1,27% do PIB.

É importante destacar que o resultado das contas públicas por esfera de governo foi impactado pelo pagamento de R$ 23,9 bilhões realizado pelo Tesouro Nacional ao município de São Paulo, referente a um acordo que extinguiu uma dívida da prefeitura. Esse pagamento influenciou os resultados do Governo Central e dos governos municipais, mas não afetou o resultado consolidado do setor público.

Em relação ao Governo Central, que engloba Previdência, Banco Central e Tesouro Nacional, o déficit primário foi de R$ 26,182 bilhões em agosto de 2023, uma melhora em relação ao déficit de R$ 49,773 bilhões registrado no mesmo mês do ano anterior. Se excluirmos o impacto da operação do Campo de Marte, que foi a negociação entre a prefeitura de São Paulo e o governo federal, o resultado primário teria se mantido estável.

Os governos estaduais apresentaram um superávit de R$ 1,831 bilhão em agosto de 2023, em comparação com o déficit de R$ 4,404 bilhões registrado no mesmo mês do ano anterior. Já os governos municipais tiveram um superávit de R$ 654 bilhões em agosto deste ano, enquanto no mesmo período de 2022 o superávit foi de R$ 22,929 milhões.

No total, os governos regionais (estaduais e municipais) apresentaram um superávit de R$ 2,485 bilhões em agosto de 2023, uma queda significativa em relação ao superávit de R$ 18,524 bilhões registrado no mesmo mês do ano anterior.

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, explicou que a melhora nos resultados se deve ao aumento da arrecadação com o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal fonte de receita dos governos estaduais e municipais.

Quanto às despesas com juros, elas totalizaram R$ 83,731 bilhões em agosto de 2023, em comparação com R$ 35,628 bilhões em agosto de 2022. Esse aumento se deve, em parte, às operações do Banco Central no mercado de câmbio, que contribuíram para a piora da conta de juros na comparação anual.

A dívida pública também teve um aumento em agosto de 2023. A dívida líquida do setor público chegou a R$ 6,256 trilhões, correspondendo a 59,9% do PIB. Já a dívida bruta do governo geral atingiu R$ 7,771 trilhões ou 74,4% do PIB.

Esses resultados são relevantes para a análise do endividamento público e são observados pelas agências de classificação de risco e investidores. É importante ressaltar que o Banco Central utiliza uma metodologia diferente do Tesouro Nacional, levando em conta a variação da dívida dos entes públicos. Isso explica a diferença nos valores divulgados pelo BC e pelo Tesouro.

Em resumo, as contas públicas apresentaram uma melhora em agosto de 2023, com um déficit primário menor em comparação com o mesmo período de 2022. No entanto, ainda há desafios a serem enfrentados para garantir a sustentabilidade fiscal do país.