BRASIL – Violência em clínicas de reabilitação ligadas à Kairós Prime gera polêmica e prisões em São Paulo.

Uma série de casos de violência tem sido registrada em clínicas ligadas à Kairós Prime, instituição de recuperação de dependentes químicos em Embu-Guaçu, na região metropolitana de São Paulo, de acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). A notícia veio à tona após a morte de um homem de 39 anos, com indícios de violência, na última segunda-feira (25). Cinco pessoas foram presas em flagrante. Esta é a segunda morte ocorrida na mesma clínica neste ano, sendo que em março um homem de 27 anos também foi encontrado morto no local, com sinais de violência no pescoço, o que levou à prisão de três funcionários.

Além disso, o proprietário da Kairós Prime, Ueder Santos de Melo, está envolvido em pelo menos outras quatro clínicas, nas quais também foram registrados casos de violência. Em Juquitiba, município da Grande São Paulo, foram registrados quatro casos, incluindo um de lesão corporal e outro de tortura. Além disso, ocorreram duas mortes por causas naturais. Em São Lourenço da Serra, outra unidade da instituição, um caso de lesão corporal foi registrado em maio de 2023 e em junho de 2017 ocorreu um desaparecimento.

Diante desses episódios, a Polícia Civil está empenhada em esclarecer as circunstâncias e punir os envolvidos. Até o momento, oito funcionários foram presos. A unidade da Kairós em Itapecerica da Serra também apresentou irregularidades, com dois autos expedidos pela Vigilância Sanitária municipal. Um deles resultou em apreensão e inutilização de medicamentos em março, enquanto o outro, em maio, resultou em uma penalidade de advertência.

Em entrevista por telefone à TV Brasil, Ueder Santos de Melo afirmou que desconhecia os casos de violência e rejeitou o uso de força ou violência contra dependentes químicos, declarando que não acredita que isso seja uma opção de tratamento. Ele confirmou ser o proprietário das unidades em Juquitiba e Embu-Guaçu, mas negou envolvimento direto nas demais unidades, alegando que elas funcionam como uma expansão do projeto, sob a responsabilidade de outras pessoas, incluindo sua esposa. Melo defendeu o trabalho sério realizado pelos funcionários e sócios, mas admitiu que eles ocultaram abusos e comportamentos inadequados.

O proprietário das clínicas também criticou a cobertura da imprensa, alegando que as reportagens divulgaram informações incompletas ou mal verificadas. Ele acrescentou que possui um histórico de dez anos de abuso de álcool e drogas, tendo vivido nas ruas, e que decidiu criar as clínicas após superar essa fase crítica de dependência. As investigações sobre os casos de violência nas clínicas ainda estão em andamento.