
BRASIL – MPF instaura inquérito civil para investigar relação do Banco do Brasil com tráfico de pessoas escravizadas no século XIX.
Esse inquérito foi motivado por um documento apresentado por 15 professores e universitários, que destacaram a necessidade de investigar e debater a responsabilidade de instituições no Brasil envolvidas com a escravização ilegal de pessoas no século XIX, sendo o Banco do Brasil o foco específico desse documento. Está prevista uma reunião entre a presidência do banco e os historiadores na Procuradoria da República no Rio de Janeiro para discutir o assunto.
Segundo os historiadores, a escravidão era uma parte constituinte da instituição financeira desde sua criação, em 1808. O banco teria surgido para enfrentar a escassez de crédito e moeda no império português, entretanto, seu envolvimento com o tráfico de pessoas escravizadas era inegável. De acordo com os dados apresentados pelos historiadores, o banco se beneficiou da arrecadação de impostos sobre embarcações envolvidas no tráfico negreiro e o capital para sua formação vinha da economia da época, em que a escravidão e o comércio negreiro desempenhavam um papel central.
Além disso, os historiadores apontam que fundadores e grandes acionistas do Banco do Brasil eram contrabandistas de escravos. José Bernardino de Sá, por exemplo, maior acionista individual do banco quando foi refundado em 1853, era um dos maiores traficantes de escravos do país entre 1825 e 1855.
O procurador Julio José Araujo Junior afirmou que o inquérito busca investigar como se deu essa relação entre o banco e a escravidão, pensando em formas de reparação simbólica ou monetária. O Banco do Brasil informou que seu departamento jurídico analisará o documento e fornecerá as informações solicitadas dentro do prazo estabelecido.
Esse inquérito é importante para resgatar a história e trazer à tona a responsabilidade das instituições envolvidas com a escravidão, além de discutir maneiras de reparação. É um passo fundamental para que essa história não seja escondida e anulada, e para que se possa pensar em caminhos de reparação diante das violações cometidas no passado.









