BRASIL – Professores da USP aprovam paralisação em apoio à greve dos estudantes e discutem indicativo de greve em assembleia.

Professores da Universidade de São Paulo (USP) aprovaram em assembleia a paralisação dos trabalhos até a próxima segunda-feira (2). A decisão, tomada na noite de ontem (26), ocorreu em apoio à greve dos estudantes, iniciada na última quinta-feira (21). Os professores também irão se reunir na próxima segunda-feira para decidir sobre a possibilidade de greve.

“A categoria considerou fundamental apoiar a greve estudantil iniciada na semana passada, que tem como eixos a contratação de docentes em número igual ao das perdas acumuladas e a permanência estudantil”, afirmou a Associação de Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), por meio de nota.

Após a assembleia geral, algumas unidades de ensino da universidade estão realizando assembleias setoriais para decidir se irão aderir à greve. “Aprovamos uma paralisação que vale para toda a categoria, em todas as unidades. Várias unidades realizarão assembleias setoriais até segunda-feira, quando deliberaremos sobre o indicativo de greve”, disse a presidente da Adusp, professora Michele Schultz.

Um levantamento divulgado pela Adusp mostra que o corpo docente da USP diminuiu 17,5% no período de 2014 até agosto de 2023, passando de aproximadamente 6 mil professores para 4,9 mil. A entidade também apontou que, entre 1995 e 2022, o número de cursos de graduação aumentou cerca de 150%, as vagas na graduação cresceram mais de 60%, o número de estudantes matriculados na graduação teve um aumento de 80% e, na pós-graduação, de 50%, enquanto os títulos de mestrado e doutorado cresceram mais de 100%. No entanto, o número de docentes cresceu apenas 2%, e o de técnicos-administrativos diminuiu em 15% em relação a 1995.

De acordo com Schultz, as cerca de 800 contratações de professores anunciadas pela reitoria não são suficientes para suprir a demanda da instituição. “Continua havendo perdas, as pessoas continuam morrendo, se aposentando, sendo desligadas. Desde janeiro de 2022, segundo nosso levantamento, 305 professores deixaram a universidade”, afirmou.

Entre as reivindicações da Adusp, estão a contratação emergencial e imediata de professores por meio de concurso público, especialmente nos cursos em que disciplinas não estão sendo oferecidas devido à falta de docentes ou estão sendo oferecidas de forma precária, sobrecarregando os professores. A assembleia aprovou também que todos os departamentos e áreas equivalentes devem receber, até 2025, um número de vagas para a realização de concursos equivalente às vagas geradas por rescisões, exonerações, aposentadorias e falecimentos.

Em nota divulgada hoje (27), a reitoria da USP afirmou que a contratação de novos docentes é uma pauta primordial e que já garantiu a distribuição de 879 cargos para todas as unidades de ensino e pesquisa da universidade. A reitoria ressaltou também que as faculdades e escolas podem solicitar cargos para a contratação de docentes temporários, a fim de agilizar os concursos.

É importante destacar que, devido ao atual quadro de arrecadação do ICMS, é preciso ter responsabilidade e atenção em relação ao previsto no orçamento. A USP continua na expectativa de resolver esse impasse e garantir o melhor funcionamento da universidade. Acompanharemos os desdobramentos desse movimento e suas consequências para a comunidade acadêmica.