
BRASIL – Garimpo ilegal na Amazônia cresce 35 mil hectares em 2022, revela estudo do MapBiomas
O estudo aponta que quase metade da área garimpada na Amazônia nos últimos cinco anos, o que demonstra um interesse crescente nessa atividade. O ouro é o mineral mais buscado pelos garimpeiros, representando cerca de 85,4% dos 263 mil hectares garimpados.
Um aspecto preocupante revelado pelo MapBiomas é a concentração do garimpo em áreas de proteção ambiental, como Parques Nacionais e Terras Indígenas. O garimpo ilegal acontece nessas áreas há mais de 20 anos, mas as imagens de satélite mostram um crescimento nos últimos dez anos. Isso indica um suporte econômico e político à atividade, uma vez que o garimpo é proibido nessas zonas.
O aumento do garimpo em áreas protegidas foi ainda mais expressivo em 2022, alcançando 190% em relação aos últimos cinco anos. Mais de 25 mil hectares em Terras Indígenas e 78 mil hectares em Unidades de Conservação estavam ocupados pela atividade. Em comparação a 2018, esses números representam um crescimento alarmante de 265% e 74%, respectivamente. Em 2022, 39% da área garimpada no Brasil estava dentro de Terras Indígenas ou Unidades de Conservação.
Algumas Terras Indígenas foram mais afetadas pelo garimpo ilegal. Destacam-se as Terras Indígenas Kayapó, Munduruku, Yanomami, Tenharim do Igarapé Preto e Sai-Cinza, que juntas somam mais de 24 mil hectares ocupados pelos garimpeiros.
Além das consequências ambientais, como o assoreamento dos rios e a contaminação da água, a atividade garimpeira também impacta negativamente as comunidades indígenas. A invasão dessas áreas pode causar conflitos e afetar a cultura e o modo de vida desses povos.
Em contrapartida, o mapeamento do MapBiomas mostrou que não houve crescimento na área ocupada pela mineração industrial em 2022, permanecendo em cerca de 180 mil hectares. Essa área representa 40% do total explorado pela atividade no país. Os estados com maior área ocupada pela mineração industrial são Pará, Mato Grosso e Minas Gerais.
O município de Itaituba, no Pará, é o que possui a maior área minerada no país, com 71 mil hectares. Em seguida, estão Jacareacanga (PA) e Peixoto de Azevedo (MT), com 20 mil e 13 mil hectares, respectivamente.
Os dados do MapBiomas reforçam a necessidade de medidas mais enérgicas para combater o garimpo ilegal e proteger as áreas de conservação e terras indígenas. A ação conjunta dos órgãos governamentais, das instituições e da sociedade civil é essencial para assegurar a preservação do meio ambiente e o respeito aos direitos indígenas.









