BRASIL – Tempo está se esgotando para enfrentar mudança climática devido à “ganância nua e crua” dos combustíveis fósseis, alerta secretário-geral da ONU.

Na última quarta-feira (20), o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um alerta durante uma cúpula de líderes climáticos na Assembleia Geral da ONU: o tempo está se esgotando para enfrentar a mudança climática. Segundo ele, parte da responsabilidade deve ser atribuída à “ganância nua e crua” dos interesses dos combustíveis fósseis.

A COP28, cúpula anual da ONU sobre o clima, está marcada para acontecer em novembro e dezembro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Guterres aproveitou o momento para implorar às autoridades nacionais que intensifiquem seus esforços na eliminação gradual do uso de combustíveis fósseis, que causam o aquecimento global.

“A mudança dos combustíveis para os renováveis está acontecendo, mas estamos décadas atrasados”, declarou Guterres, dando início à cúpula de um dia. Segundo ele, é necessário recuperar o tempo perdido com atrasos e interesses que lucram bilhões com os combustíveis fósseis.

Guterres ressaltou que muitas nações mais pobres têm o direito de ficar com raiva, já que estão sofrendo as consequências de uma crise climática pela qual não são responsáveis. Além disso, cobrou o financiamento prometido que ainda não se materializou e lamentou os altos custos de empréstimos que essas nações enfrentam.

O secretário-geral da ONU espera que a minicúpula do dia inspire mais investimentos e ações por parte dos países e das empresas para alinhar seus planos climáticos com a meta global de atingir emissões líquidas zero até 2050.

Durante a cúpula, o presidente do Quênia, William Ruto, propôs a criação de um imposto universal sobre o comércio de combustíveis fósseis, além de taxas sobre a aviação, emissões marítimas e transações financeiras, com o objetivo de arrecadar trilhões de dólares.

Ruto enfatizou que nem a África nem o mundo em desenvolvimento precisam de caridade dos países desenvolvidos, mas sim de ações concretas para enfrentar a crise climática.

A cúpula climática contou com a participação de diversas instituições financeiras internacionais, como a seguradora global de viagens Allianz, e agências multilaterais de empréstimo, incluindo o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Londres e o estado norte-americano da Califórnia também estiveram presentes.

Um relatório da ONU divulgado neste mês apontou que as atuais promessas de redução de emissões são insuficientes para manter a temperatura média global em 1,5 grau Celsius além da média pré-industrial. Serão necessárias mais de 20 gigatoneladas de reduções adicionais de CO₂ nesta década, além da emissão líquida zero global até 2050, para atingir as metas estabelecidas.

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