
BRASIL – Estudo aponta desigualdades de raça, gênero e classe social como fatores que contribuem para violações do direito à alimentação adequada.
Os dados analisados no estudo foram coletados entre 2017 e 2018, período anterior à pandemia de covid-19, e fazem parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, foram utilizados textos públicos de diversas organizações, como entidades profissionais, movimentos sociais, academia e setor comercial.
De acordo com Veruska Prado, coordenadora do estudo, as desigualdades no acesso, no consumo e na produção de alimentos são tratadas de forma geral e naturalizada na sociedade brasileira. Ela ressalta a importância de uma abordagem mais específica e contextualizada sobre o tema, levando em consideração as questões de raça, gênero e classe social.
O estudo aponta que as desigualdades estruturais no Brasil, relacionadas à raça, gênero e às disparidades no acesso ao mercado de trabalho, estão diretamente relacionadas à insegurança alimentar. Veruska destaca que mesmo antes da pandemia, já havia indicativos de que lares chefiados por mulheres enfrentavam fome e insegurança alimentar. Além disso, muitas famílias precisavam fazer adaptações alimentares, como a redução da quantidade de comida consumida pelas mulheres para garantir a alimentação das crianças.
A coordenadora ressalta a urgência de ações mais direcionadas para combater as desigualdades alimentares no país. Ela afirma que, diante do atual cenário de fome e insegurança alimentar, é necessário ser mais assertivo e específico nas políticas e medidas adotadas.
O estudo Prato do Dia: Desigualdades. Raça, Gênero e Classe nos Sistemas Alimentares traz um alerta importante sobre a necessidade de uma abordagem mais abrangente e qualificada para combater as desigualdades no acesso à alimentação e nutrição adequadas. É fundamental que sejam desenvolvidas políticas públicas e ações efetivas que levem em consideração as particularidades e as vulnerabilidades das comunidades negras, das mulheres, das crianças e das pessoas de baixa renda.
A pesquisa reforça a importância do reconhecimento e do enfrentamento das desigualdades estruturais presentes na sociedade brasileira. Somente assim será possível garantir o direito básico à alimentação e à nutrição, promovendo uma sociedade mais justa e igualitária.









