
BRASIL – Lula alerta que agenda de desenvolvimento sustentável da ONU pode se tornar um grande fracasso
O presidente defendeu uma reforma no sistema de governança global e destacou que a comunidade internacional está enfrentando múltiplas e simultâneas crises, tais como a pandemia da covid-19, a crise climática e as inseguranças alimentar e energética. Lula ressaltou que a desigualdade é a raiz desses problemas ou, ainda pior, agrava-os. Ele destacou que a Agenda 2030, considerada a mais ampla e ambiciosa ação coletiva da ONU voltada para o desenvolvimento, corre o risco de se tornar o maior fracasso da organização, pois, mesmo estando na metade do período de implementação, as metas definidas ainda estão distantes de serem alcançadas.
Diante disso, Lula ressaltou a importância de reduzir as desigualdades dentro dos países e entre eles como objetivo central da Agenda 2030. Ele afirmou que somente através da indignação é que será possível superar a desigualdade e transformar efetivamente o mundo ao nosso redor. O presidente enfatizou que a ONU precisa cumprir seu papel na construção de um mundo mais justo, solidário e fraterno, mas para isso, seus membros devem ser corajosos o suficiente para proclamar sua indignação com a desigualdade e trabalhar incansavelmente para superá-la.
Além disso, Lula ressaltou o compromisso do Brasil em enfrentar os principais desafios globais. Ele citou programas e ações implementados pelo governo brasileiro, como o Brasil sem Fome, o Bolsa Família, a taxação de super-ricos, a busca pela igualdade salarial entre homens e mulheres, o combate ao feminicídio e a defesa dos direitos de grupos LGBTQI+ e pessoas com deficiência. Lula também reafirmou o compromisso do Brasil em implementar os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável de maneira integrada e indivisível, e expressou o desejo de alcançar a igualdade racial como um décimo oitavo objetivo.
No que diz respeito às mudanças climáticas, Lula cobrou dos países ricos o cumprimento dos compromissos assumidos internacionalmente, como a doação de US$ 100 bilhões por ano para países em desenvolvimento preservarem suas florestas. Ele destacou que esses recursos continuam sendo apenas uma promessa e ressaltou a necessidade de corrigir os rumos e implementar o que já foi acordado. Lula enfatizou que a ação contra as mudanças climáticas implica enfrentar desigualdades históricas e defendeu a atuação conjunta para promover um modelo de desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente sustentável.
O presidente brasileiro também mencionou a Cúpula da Amazônia, realizada em agosto em Belém, onde os países da região lançaram uma agenda comum de colaboração para combater o desmatamento e promover a inclusão produtiva dos povos da região, com base na soberania sobre os territórios.
O discurso de Lula ocorreu durante o debate geral da Assembleia Geral da ONU, cujo tema deste ano é “Reconstruir a confiança e reacender a solidariedade global: acelerando ações para a Agenda 2030 e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável rumo à paz, prosperidade, ao progresso e à sustentabilidade para todos”. Nesse contexto, os líderes dos Estados-membros são convidados a discursar para expor suas visões e preocupações diante do sistema multilateral.
É importante ressaltar que o governo brasileiro tradicionalmente faz o primeiro discurso da Assembleia das Nações Unidas, seguido pelo presidente dos Estados Unidos. Neste ano, essa tradição foi mantida, sendo a oitava vez que o presidente Lula abre o debate geral dos chefes de Estado. Durante seus mandatos anteriores, Lula esteve presente no evento todos os anos de 2003 a 2009. O presidente brasileiro também aproveitou a visita a Nova York para participar de reuniões com empresários e autoridades estrangeiras, além de encontros com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Durante essa visita, Lula e Biden lançaram uma iniciativa global para promover o trabalho decente.









