BRASIL – “Conexão de Povos e Culturas: Feira do Cerrado destaca a diversidade e riqueza da sociobiodiversidade”

O 10º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, que ocorre na Torre de TV, área central de Brasília, é uma oportunidade para conhecer a diversidade cultural e gastronômica desse importante bioma brasileiro. Com mais de 270 expositores de nove estados do Cerrado, a feira oferece produtos medicinais, pintura indígena, chope de jatobá e coquinho azedo, além de artesanato e comidas típicas.

O evento, que termina neste sábado (16), conta ainda com uma programação cultural diversificada. Na noite de encerramento, estão previstas apresentações do Teatro de Mamulengo Sem Fronteiras, Quilombo de Bom Sucesso dos Negros, mulheres indígenas Xavante, Baile da Miasinha e o grupo Pé de Cerrado.

Uma das principais atrações é a artesã Elizane Ramalho, natural da região do Jalapão, em Tocantins. Ela utiliza o capim dourado, uma espécie de sempre-viva encontrada no Cerrado, para criar cestarias, biojóias e outros adornos. Orgulhosa de fazer parte do artesanato, Elizane destaca a satisfação em criar peças únicas e a importância de transmitir seus conhecimentos para as próximas gerações.

Outra visitante encantada com a feira é a bióloga Rosalia Baribieri, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Originária do Rio Grande do Sul, ela aproveitou uma semana de trabalho em Brasília para conhecer o evento. Além de se encantar com os produtos e artesãos presentes, Rosalia participou de oficinas de turbantes e promovidas por raizeiras do Cerrado.

Desde 2001, o Encontro e Feira dos Povos do Cerrado tem como objetivo promover a troca de experiências e a defesa desse importante bioma e de seus povos. Com o tema “Cerrado: Conexão de Povos, Culturas e Biomas”, o evento deste ano espera reunir cerca de 10 mil pessoas, incluindo representantes de comunidades quilombolas, indígenas, quebradeiras de coco babaçu e geraizeiros.

O Cerrado é considerado o berço das águas do Brasil, sendo responsável pela origem das nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas mais importantes do país. Além disso, é o segundo maior reservatório subterrâneo de água do mundo, formado pelos aquíferos Guarani e Urucuia. No entanto, apesar de sua importância para a segurança hídrica e agrícola do país, o bioma tem sido um dos mais prejudicados pela devastação, principalmente na região conhecida como Matopiba.

O encontro e feira dos Povos do Cerrado é, portanto, uma oportunidade não apenas de conhecer a riqueza cultural e gastronômica desse importante bioma, mas também de refletir sobre a urgência de sua preservação e valorização.