BRASIL – Presidente Lula participará da Cúpula do G77 + China em Havana e discutirá desafios do desenvolvimento com ciência e tecnologia.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva estará presente na Cúpula do G77 + China, que ocorrerá nos dias 15 e 16 de setembro em Havana, capital de Cuba. O grupo, formado originalmente por 77 países, atualmente é composto por 134 nações em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina. A parceria com a China foi estabelecida nos anos 90.

Este ano, sob a presidência de Cuba, o encontro abordará o tema “Desafios Atuais do Desenvolvimento: Papel da Ciência, Tecnologia e Inovação”. O Brasil, um dos países fundadores do grupo, desempenha um papel ativo nas negociações e tem se articulado fortemente no bloco.

O secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Márcio Cozendey, comentou sobre a atuação dos países no G77 + China. Ele destacou que o grupo se concentra mais nos temas econômicos e sociais das Nações Unidas, em vez de questões políticas e de segurança. Para ele, essa atuação ampla permite que os países em desenvolvimento ganhem poder de barganha.

Cozendey também explicou que os termos da declaração que será aprovada pelos chefes de Estado participantes já foram negociados em Nova Iorque, e a Cooperação Sul-Sul será fortalecida como base do intercâmbio dentro do grupo. Diversos pontos serão abordados, incluindo o apoio a mecanismos, instituições e programas para aprimorar essa cooperação.

O diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, Luciano Mazza de Andrade, ressaltou o papel importante do Brasil nesse contexto, considerando sua capacidade e estrutura no setor de ciência, tecnologia e inovação.

Além disso, a declaração aprovada pela cúpula deve instituir o dia 16 de setembro como o Dia da Ciência, Tecnologia e Inovação no sul global. Também está previsto que os ministros de Ciência, Tecnologia e Inovação dos países do bloco se reúnam a cada três anos para fortalecer a cooperação nessas áreas.

Vale mencionar que Cuba assumiu a presidência do G77 + China em janeiro deste ano, com foco na consolidação da influência dos países em desenvolvimento em negociações multilaterais, na cooperação internacional pós-pandemia e na reforma da governança financeira global. A transferência da presidência ocorrerá em janeiro de 2024, quando Uganda assumirá o posto.

Por fim, Carlos Cozendey abordou o tratamento dado a Cuba nos fóruns multilaterais de governança global. Ele condenou as sanções unilaterais impostas ao país por várias décadas, afirmando que tais medidas não alcançaram seus objetivos e causaram dificuldades para a população cubana. O Brasil e outros países da região possuem uma posição crítica em relação ao regime cubano.

Após participar da Cúpula em Havana, o presidente Lula seguirá para Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde participará da 78ª Assembleia Geral da ONU.