
BRASIL – General nega negligência e inércia dos militares durante desmonte de acampamento em frente ao quartel general em Brasília.
Durante o seu depoimento, o general relembrou que o acampamento durou quase 70 dias e, em seu ápice, chegou a abrigar cerca de 100 mil pessoas no dia 15 de novembro de 2022. Menezes ressaltou que a retirada das pessoas do local foi realizada gradualmente e destacou que considerava o acampamento uma manifestação pacífica, sem motivo para ser declarada ilegal pelo Exército.
Ele explicou que nenhum órgão competente declarou o acampamento como ilegal e que o Exército não tinha a competência ou a autorização para fazê-lo. O general afirmou que agir sem uma ordem ou autorização seria considerado abuso de autoridade. Além disso, ele pontuou que a operação de desmonte do acampamento era complexa e exigia planejamento adequado.
Durante o depoimento, foram apresentados diversos vídeos de pessoas acampadas que relataram receber apoio dos militares, desde a montagem de tendas e barracas até a contribuição no cotidiano do acampamento. O general negou essas acusações veementemente. Ele também foi questionado sobre o impedimento da entrada da Polícia Militar do Distrito Federal no acampamento no dia 8 de janeiro, quando ocorreram ataques e depredações aos prédios dos Três Poderes. Menezes negou qualquer interferência nesse sentido.
O general também disse que o perfil dos acampados havia mudado do dia 6 para o dia 7 de janeiro, véspera dos atos golpistas. Segundo ele, as pessoas que estavam acampadas no dia 6 eram pessoas em situação de rua, vindas de outros estados e sem recursos para retornar. No dia 7, um grande número de ônibus chegou a Brasília trazendo pessoas que não faziam parte do acampamento anteriormente.
No dia dos atos antidemocráticos, Menezes afirmou que o Gabinete de Segurança Institucional acionou o Comando Militar do Planalto por volta do meio-dia. A partir desse momento, as tropas foram mobilizadas. Após a destruição ocorrida por volta das 21h, o foco era evitar o retorno dos manifestantes ao acampamento e cumprir a determinação judicial de retirar todos os acampados em 24 horas, o que foi feito no dia seguinte por questões de segurança.
O general Gustavo Henrique Dutra de Menezes foi um dos investigados pelo Ministério Público Militar no inquérito que apurou possíveis negligência ou omissão nas invasões ocorridas no dia 8 de janeiro. Agora, cabe à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito avaliar as informações fornecidas pelo general e prosseguir com as investigações.









