BRASIL – “Araetá: A Literatura dos Povos Originários revela a sabedoria ancestral e luta dos indígenas na exposição do Sesc Ipiranga”

A exposição “Araetá: A Literatura dos Povos Originários” é uma celebração da rica produção literária indígena brasileira e da tradição oral que permeia as vivências desses povos. Em exibição no Sesc Ipiranga, localizado na zona sul de São Paulo, a mostra mergulha o público em um universo de sabedoria transmitida por sonhos, narrativas ancestrais e histórias contemporâneas.

Ao adentrar a Casa de Saberes, é como se os visitantes pudessem sentar-se em bancos rústicos de madeira, reunidos ao redor de uma fogueira, e folhear livros que tratam de filosofia e cosmologia xamânicas. Através dos versos da poeta Graça Graúna, somos lembrados da luta e da glória dos povos originários, de suas histórias compartilhadas em torno do fogo e de como a cultura continua a se perpetuar mesmo em meio às perdas.

Um dos destaques da exposição é o escritor Daniel Munduruku, que destaca a complementariedade entre a escrita e a oralidade. Para ele, a literatura indígena serve como instrumento para atualizar a ancestralidade, fortalecendo as tradições e os conhecimentos transmitidos ao longo dos séculos.

As obras expostas vão desde livros impressos, alguns produzidos por grandes editoras, até cestarias tradicionais e outros trabalhos artesanais. A exposição divide-se de acordo com os biomas onde estão localizadas as comunidades indígenas dos autores, e também apresenta fotos das batalhas que esses povos enfrentam no presente, como as manifestações contra o Marco Temporal, cujo julgamento está em curso no Supremo Tribunal Federal.

A poesia também está presente nas paredes da mostra, como no poema “Makunu’pa”, de Sony Ferseck, que desce como um rio sinuoso, representando a Amazônia e seus caminhos de vida, como os peixes que enfeitam as cachoeiras. Já a escritora Auritha Tabajara utiliza a linguagem do cordel para contar suas vivências tradicionais na comunidade de Ipueiras, no Ceará, mesclando-as com questões contemporâneas, como a disputa pela guarda dos filhos e a vida de uma mulher indígena em São Paulo.

A biblioteca da exposição conta com mais de 300 títulos exclusivamente de autores indígenas, além de bancos artesanais em formato de animais para que os visitantes possam desfrutar da leitura com calma. Também estão disponíveis entrevistas e dicionários de línguas faladas no Brasil, enriquecendo ainda mais a experiência do público.

A exposição “Araetá: A Literatura dos Povos Originários” pode ser visitada gratuitamente até março de 2024 no Sesc Ipiranga. O horário de funcionamento é de terça a sexta-feira, das 9h às 21h30, aos sábados, das 10h às 21h30, e aos domingos e feriados, das 10h às 18h30. É uma oportunidade única de mergulhar na cultura indígena brasileira e se conectar com a sabedoria ancestral transmitida por meio da literatura.