BRASIL – Fortalecimento do complexo econômico-industrial da saúde visa diminuir dependência externa de itens essenciais durante crises sanitárias.

O fortalecimento do complexo econômico-industrial da saúde é um objetivo fundamental para o Brasil. Durante um seminário no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), autoridades e especialistas se reuniram para debater como aumentar a capacidade de produção e inovação nesse setor e, consequentemente, promover maior soberania e independência do país no cenário internacional.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o complexo econômico-industrial da saúde já representa 9,6% do PIB do Brasil e 7,4% do emprego, incluindo vários empregos qualificados. Ele defendeu que o Sistema Único de Saúde (SUS) seja um impulsionador dessa indústria, utilizando seu poder de compra para estimular a evolução científica, tecnológica e produtiva do país.

Esse complexo abrange as indústrias de medicamentos, vacinas, reagentes químicos, hemoderivados e materiais hospitalares. Mercadante ressaltou a importância de seguir o exemplo bem-sucedido da indústria de aviação brasileira, mencionando a Embraer como a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, graças ao apoio financeiro do BNDES. Ele enfatizou que o mesmo potencial de inovação e avanço tecnológico pode ser alcançado na indústria da saúde.

O presidente do BNDES também garantiu que recursos financeiros não serão um problema, mencionando taxas de juros especiais para projetos de inovação e parcerias público-privadas. Ele destacou a importância dessas parcerias na construção de hospitais e na administração eficiente dos serviços de saúde.

Além disso, Mercadante sugeriu a revisão das reduções tarifárias para produtos importados, enfatizando a necessidade de estimular a produção local e evitar a competição desleal com empresas estrangeiras que possuem escala global e tarifas zero. Ele afirmou que o governo deve rever essa política para garantir a competitividade e eficiência dos produtos brasileiros.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, ressaltou que o fortalecimento do complexo econômico-industrial da saúde é uma prioridade do ministério, pois a pandemia evidenciou a fragilidade do país ao depender de importações de equipamentos e tecnologia. O secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde destacou o déficit comercial crescente na área de saúde nos últimos anos e ressaltou a importância de políticas públicas e investimentos para reverter essa situação.

O seminário também anunciou o lançamento de uma estratégia nacional de fortalecimento da indústria da saúde em setembro. Essa estratégia será desenvolvida pelo Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, ligados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Representantes de vários ministérios, instituições públicas e privadas discutiram a necessidade de uma ação conjunta para impulsionar o desenvolvimento da indústria da saúde. O presidente do BNDES enfatizou a importância de criar um grupo para acompanhar os avanços alcançados no setor.

Em resumo, fortalecer o complexo econômico-industrial da saúde é fundamental para o Brasil. Isso envolve investimentos em inovação, produção e capacidade industrial. Com maior capacidade de produção interna e independência, o país estará melhor preparado para enfrentar crises sanitárias e terá maior relevância no cenário internacional. É preciso aproveitar o poder de compra do SUS e estimular parcerias público-privadas para impulsionar o desenvolvimento desse setor estratégico.