
BRASIL – Estudo revela desproporção e má distribuição de médicos no Brasil, com concentração em poucas capitais e falta de especialistas em diversas regiões.
A desigualdade na distribuição dos médicos é evidente em todas as especialidades e em todos os estados. Por exemplo, no Pará, há apenas 0,46 cirurgiões para cada 100 mil habitantes, enquanto no Distrito Federal esse número chega a 60,84. No Maranhão, a proporção de anestesiologistas é cinco vezes menor do que no Rio de Janeiro. A média nacional de médicos de Medicina de Família e Comunidade é de apenas 5,54 para 100 mil habitantes, com 15 estados abaixo desse número.
Dos 545 mil médicos no Brasil, 38% não têm especialidade médica, enquanto os outros 62% são especialistas. Segundo o coordenador do estudo, Mário Scheffer, a distribuição dos especialistas é mais concentrada e desigual do que entre os médicos em geral.
É importante ressaltar que a oferta de vagas de residência médica no país aumentou 57% entre 2015 e 2023, passando de 29.696 para 46.610 vagas. No entanto, a disponibilidade de vagas de primeiro ano de residência não tem sido suficiente para acompanhar o aumento do número de médicos formados. Essa defasagem entre a oferta de ensino de graduação e a formação especializada pode levar a uma falta de especialistas no futuro.
De acordo com Scheffer, a população brasileira está envelhecendo e demandando cada vez mais médicos especialistas. Estima-se que em 2025 haverá mais de 36 milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que resultará em um aumento das doenças crônicas não transmissíveis, que são as principais causas de adoecimento e morte.
Além disso, as políticas públicas recentes do governo federal, como o Programa Nacional de Redução das Filas de Cirurgias Eletivas, Exames Complementares e Consultas Especializadas (PNRF) e a política de Atenção Primária à Saúde, também demandam um maior número de especialistas.
O estudo revela que, dos 545.7671 médicos no Brasil, 70% estão concentrados em regiões onde vivem menos de 30% da população. A desigualdade na distribuição também é evidente entre os municípios, principalmente nas cidades com menos de 20 mil habitantes, onde vivem 15,8% da população brasileira, mas estão concentrados apenas 2,8% dos médicos do país.
Diante desses dados, é necessário buscar soluções para melhorar a distribuição regional de médicos e garantir uma formação especializada suficiente para atender a demanda da população. Caso contrário, corre-se o risco de enfrentar uma escassez de especialistas no futuro, prejudicando o atendimento médico e a saúde da população.









