BRASIL – Número de crianças e adolescentes baleados no Rio de Janeiro em agosto é o maior registrado em 2023

No mês de agosto, a região metropolitana do Rio de Janeiro registrou um número alarmante de crianças e adolescentes baleados. Segundo o relatório mensal divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado, ocorreram oito casos, sendo que seis resultaram em morte e dois em ferimentos. Esses números são superiores aos registrados no mesmo período do ano passado, quando ocorreram quatro mortes e dois ferimentos entre os jovens.

Entre as oito vítimas, quatro foram atingidas durante ações ou operações policiais. Um caso que ganhou destaque foi o do jovem de 13 anos, Thiago Menezes Flausino, morto a tiros na Cidade de Deus. Após investigação, a Corregedoria da Polícia Militar indiciou os policiais envolvidos por indícios de plantação de arma, utilização de veículo descaracterizado e drones não autorizados. A ausência de câmeras nas fardas dos policiais dificultou a identificação da origem do tiro fatal.

Outro caso que chamou a atenção foi o da pequena Eloáh Passos, de apenas 5 anos, que foi atingida no peito durante uma manifestação reprimida a tiros por policiais militares na localidade conhecida como Cova da Onça. A manifestação começou após a morte de Wendell Eduardo, de 17 anos, durante uma abordagem policial.

Além desses casos, outros jovens perderam suas vidas de forma trágica. Kamily Gimenes Silva, de 14 anos, foi morta a tiros quando tentava proteger sua irmã de um ataque em uma comunidade no morro do São João. Bryan Santos, de 16 anos, foi alvejado por uma bala perdida ao tentar proteger uma amiga durante um tiroteio em São Gonçalo.

A diretora de Dados e Transparência do Instituto Fogo Cruzado, Maria Isabel Couto, ressaltou a preocupação com a quantidade de mortes de crianças e adolescentes na região. Ela questionou a falta de políticas de segurança efetivas e o impacto desses números na sociedade. É necessária uma ação urgente por parte do poder público para combater essa realidade violenta.

O relatório também apontou que, no mês de agosto, foram registrados 155 tiroteios e disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro. Esse número representa uma queda de 54% em relação ao mesmo período do ano passado, que acumulou 338 registros. Dos tiroteios mapeados, 24,5% ocorreram durante ações policiais, o que representa uma queda de 69% em comparação a 2022.

No total, 119 pessoas foram baleadas em agosto, sendo que 65 morreram e 54 ficaram feridas. Em comparação com o ano passado, houve uma queda de 22% nas mortes e 52% nos ferimentos. É importante ressaltar que, entre as vítimas, também houve idosos, agentes de segurança e pessoas atingidas por balas perdidas.

Esses números alarmantes evidenciam a necessidade de medidas efetivas para combater a violência armada na região metropolitana do Rio de Janeiro. A população precisa se unir e cobrar do poder público ações que garantam a segurança e o direito à vida das crianças e adolescentes. É inadmissível que tragédias como essas continuem acontecendo e que a sociedade se torne insensível a elas. Precisamos de mudanças urgentes e de políticas de segurança eficazes.