BRASIL – Operação Escudo resulta em 27 mortos e é alvo de críticas por supostas retaliações a comunidades periféricas da Baixada Santista.

A Operação Escudo, anunciada oficialmente como uma estratégia de combate ao narcotráfico, tem sido alvo de críticas devido ao alto número de vítimas fatais que vem gerando. Segundo informações divulgadas hoje (4), o total de mortos durante a operação já chegou a 27.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), todas as mortes ocorreram durante confrontos entre as vítimas e os agentes das forças policiais. No entanto, a conduta dos policiais militares tem levantado suspeitas e gerado desconfiança quanto à veracidade dessa versão.

Diante desses questionamentos, o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para investigar a legalidade da Operação Escudo. A promotora responsável pelo caso irá avaliar se há indícios de ilegalidade ou violações dos direitos humanos durante a ação policial.

As denúncias de violações de direitos chegaram ao Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), que também decidiu elaborar um relatório sobre o assunto. Segundo informações antecipadas pela Agência Brasil na última sexta-feira (1º), o relatório aponta para casos de execuções na Operação Escudo.

A preocupação com a atuação da polícia na operação é tão grande que até mesmo os participantes de uma audiência sobre o assunto foram ameaçados por policiais militares. Segundo relatos, após saírem do evento na sede da Defensoria Pública da União, um grupo de jovens foi abordado e ameaçado por questionar a atuação da corporação.

A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública para obter mais informações sobre o ocorrido, mas até o momento não obteve retorno.

Enquanto isso, a pasta responsável pela operação afirma que todos os casos de morte decorrente de intervenção policial são investigados pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais e pela Polícia Militar, por meio de Inquérito Policial Militar.

Diante da polêmica em torno da Operação Escudo, é necessário aguardar os desdobramentos do inquérito civil e do relatório do CNDH para se ter uma avaliação mais precisa sobre a legalidade e a atuação da polícia nessa operação. A sociedade civil e as entidades de direitos humanos continuam acompanhando de perto o desenrolar dos fatos, buscando garantir que a operação realmente cumpra o seu objetivo de combate ao narcotráfico sem ferir os direitos e garantias dos cidadãos.