
BRASIL – Evento CineMarias discute emancipação feminina e igualdade de gênero.
Luana Laux, coordenadora-geral do projeto, ressaltou que a Mostra Nacional CineMarias é uma das poucas mostras de cinema feminino que está se mantendo no país. Inspirado na Lei Maria da Penha, o evento busca dar visibilidade às obras que trabalham com temáticas femininas e possibilitar a difusão desses trabalhos.
Durante a mostra, serão realizados workshops, oficinas, painéis e rodas de debates, onde serão discutidos temas como a igualdade de gênero e o combate à violência física contra as mulheres. As inscrições para as oficinas e rodas de debates podem ser feitas através do site oficial do evento.
No ano passado, o tema da mostra foi “O Corpo é Território”, levando em consideração a ideia de que o corpo de uma mulher é um território que pode ser ocupado ou não, dependendo de como é aceito socialmente. Já a edição deste ano propõe uma reflexão sobre os corpos decoloniais e a invisibilização das manifestações culturais de corpos de povos colonizados.
Luana Laux explica que a edição de 2023 da Mostra Nacional CineMarias busca dar voz a identidades femininas pretas, pardas e indígenas, quilombolas e marisqueiras, que ao longo da história tiveram suas culturas, valores e artes apagados. A ideia é promover o debate sobre corpos dissidentes e narrativas afirmativas.
Além das exibições de filmes, a mostra também apresentará um painel intitulado “Descolonizando o Brasil”, que terá a participação de artistas e pensadoras para debater o país sob a ótica colonial. Haverá ainda uma roda de bate-papo com líderes quilombolas, marisqueiras e indígenas capixabas, junto com a homenageada desta edição, a multiartista Lia de Itamaracá.
Uma das atrações principais da mostra será o lançamento do filme “A Flor do Buriti”, da brasileira Renée Nader Messora e do português João Salaviza. O filme, premiado no Festival de Cinema de Cannes deste ano, retrata a resistência do povo Krahô, do Tocantins, aos ataques e invasões dos brancos. Outro destaque é o filme “Uýra – A Retomada da Floresta”, de Juliana Curi, que será exibido amanhã.
A presença feminina no cinema ainda é sub-representada, conforme dados da Ancine. Mulheres ocupam apenas 20% a 25% dos cargos de direção e roteiro nas obras audiovisuais, e a presença de mulheres negras e indígenas nessas posições é ainda menor.
Com a Mostra Nacional CineMarias – Corpos (in)Visíveis, busca-se não apenas dar visibilidade a obras produzidas por mulheres, mas também promover o debate e a reflexão sobre as questões de gênero e a resistência das identidades femininas.









