
BRASIL – Anualmente, o Brasil desperdiça R$ 40 bi em paraísos fiscais e offshores, fato preocupante para a economia nacional.
Para entender melhor essa questão, o Public Service International (PSI) colaborou com o estudo que busca mapear a geografia desses paraísos fiscais. Gabriel Casnati, membro do PSI, destacou a importância de medidas globais para combater esse problema e elogiou a recente medida provisória assinada pelo presidente Lula que aumenta os impostos dos super-ricos no Brasil.
No entanto, Casnati também expressou preocupação com a resistência de parlamentares em avançar com a taxação das offshores. O ativista ressaltou que a tributação mais justa desses super-ricos poderia aumentar em pelo menos 10% o orçamento destinado à educação e saúde no país.
Os paraísos fiscais, de acordo com Casnati, são caracterizados pela falta de transparência e permitem que milionários e bilionários cometam crimes fiscais, além de facilitarem o tráfico de pessoas, drogas e órgãos devido à falta de transparência. O problema é ainda mais complexo, pois muitas vezes não é possível ter a dimensão exata das perdas que o Brasil enfrenta devido a esses paraísos fiscais, visto que boa parte das transações ocorre de forma oculta.
Um exemplo citado por Casnati é o caso da mineração no Brasil, em que empresas contabilizam vendas para paraísos fiscais, como as Ilhas Cayman e a Suíça, porém, na realidade, o minério é enviado diretamente para outros destinos. Essa manobra contábil permite que as empresas registrem lucros em paraísos fiscais, onde não há tributação de empresas.
É importante ressaltar que o uso de paraísos fiscais nem sempre é ilegal, mas muitas vezes ocorre em grandes lagunas jurídicas que facilitam a evasão fiscal por parte das empresas. Casnati destaca que a maioria das multinacionais, inclusive em países ricos, não paga os impostos devidos.
No entanto, há uma crescente preocupação em relação a esse problema também nos países avançados, o que tem impulsionado a busca por reformas tributárias internacionais para diminuir a facilidade de uso desses paraísos fiscais pelas empresas.
Em suma, os paraísos fiscais representam um desafio global que compromete a arrecadação dos países e prejudica o desenvolvimento social e econômico. É fundamental que sejam implementadas medidas eficazes para combater a evasão fiscal e garantir um sistema tributário mais justo e equitativo para todos.









