BRASIL – Julho marca segundo maior déficit na história do Governo Central, representando dificuldades financeiras em meio à pandemia.

No mês de julho deste ano, o Governo Central registrou o maior déficit primário para o mês dos últimos três anos. O resultado ficou negativo em R$ 35,933 bilhões, uma queda considerável em relação ao superávit de R$ 18,949 bilhões obtido no mesmo período de 2022. Esse déficit foi impulsionado principalmente pela falta de dividendos da Petrobras e pelas mudanças no cronograma do décimo terceiro de aposentados e pensionistas e do abono salarial.

Tanto em valores nominais como corrigido pela inflação, o resultado de julho foi o segundo pior da história e o pior para o mês desde julho de 2020. Naquele momento, o déficit primário foi de R$ 87,887 bilhões, devido aos gastos extras com a pandemia de Covid-19.

Esse resultado surpreendeu as instituições financeiras, que esperavam um resultado negativo de apenas R$ 6 bilhões para o mês de julho, de acordo com a pesquisa Prisma Fiscal divulgada pelo Ministério da Economia.

Com esse resultado, o Governo Central já acumula um déficit primário de R$ 78,246 bilhões em 2023, o segundo maior da série histórica. A meta estabelecida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias é de R$ 231,5 bilhões.

Em relação às receitas, houve uma queda de 1,5% em valores nominais e 5,3% corrigida pela inflação, em comparação com julho do ano passado. Já as despesas totais aumentaram 36,5% em valores nominais e 31,3% após descontar a inflação.

No que se refere às receitas administradas, que são relacionadas ao pagamento de tributos, houve uma queda de 3,7% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, após levar em consideração a inflação. Essa redução foi impulsionada principalmente pelo recuo no Imposto de Renda e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.

As receitas não-administradas pela Receita Federal também sofreram queda em relação ao ano passado. Os maiores recuos foram registrados no pagamento de dividendos e de juros sobre capital próprio das estatais, devido à distribuição realizada pela Petrobras em agosto deste ano, enquanto no ano passado ocorreu em julho.

Em relação às despesas, os gastos com programas sociais aumentaram R$ 6,5 bilhões acima da inflação, impulsionados pelo novo Bolsa Família. Os gastos com a Previdência Social também subiram devido ao pagamento do décimo terceiro para aposentados e pensionistas. Além disso, os gastos com abono salarial e seguro desemprego aumentaram devido ao novo calendário, que foi diluído ao longo dos meses.

Os gastos com o funcionalismo público federal também tiveram um aumento acima da inflação, refletindo o reajuste de 9% concedido aos servidores do Poder Executivo Federal.

No que se refere aos investimentos, o governo federal aplicou R$ 29,354 bilhões nos sete primeiros meses do ano, um aumento de 17,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa despesa tem variado nos últimos meses, atribuída ao ritmo volátil das obras públicas.

É importante ressaltar que o governo pretende reverter essa situação e melhorar as contas públicas. No início do ano, foi anunciado um pacote para aumentar a arrecadação e revisar gastos, buscando diminuir o déficit para cerca de R$ 100 bilhões em 2023. No entanto, a previsão oficial atual indica um déficit de R$ 145,4 bilhões para este ano.