
BRASIL – Golpe anunciado por militares no Gabão resulta na detenção do presidente reeleito. Situação política delicada no país.
A notícia do golpe foi recebida com comemoração nas ruas da capital Libreville. Centenas de pessoas saíram para celebrar o anúncio, que aparentemente foi gravado no palácio presidencial. Os militares também anunciaram que detiveram Bongo, que assumiu a presidência em 2009, após a morte de seu pai, Omar, que governou o Gabão desde 1967. Críticos argumentam que a família Bongo não compartilhou adequadamente a riqueza do petróleo e da mineração do país com a população de 2,3 milhões de habitantes.
Se o golpe for bem-sucedido, será o oitavo na África Ocidental e Central desde 2020. Países como Mali, Guiné, Burkina Faso e Chade também tiveram militares assumindo o poder nos últimos tempos, revertendo as conquistas democráticas alcançadas nas décadas de 1990 e 2000.
Os próprios militares do Gabão alegam que o país está enfrentando uma grave crise institucional, política, econômica e social. Eles afirmam que a eleição de agosto não foi transparente nem confiável. Tiros foram ouvidos em Libreville após o anúncio do golpe, mas as ruas estavam calmas antes das comemorações. A polícia foi mobilizada para proteger os principais cruzamentos da cidade.
A França, ex-governante colonial do Gabão, está acompanhando de perto a situação. O golpe cria mais incertezas para a presença francesa na região, pois o país tem soldados baseados no Gabão. A China e a Rússia também manifestaram preocupação com a situação e pediram uma resolução pacífica.
A região do Sahel e da África Central tem enfrentado desafios com insurgências islâmicas, o que levou a um enfraquecimento dos governos democráticos. No Gabão, o descontentamento com a família Bongo, que está há 56 anos no poder, tem crescido. O país é membro da OPEP e produz cerca de 200 mil barris de petróleo por dia. No entanto, críticos argumentam que a riqueza do país não é compartilhada de forma adequada com a população, e cerca de um terço dos gaboneses vive em situação de pobreza.
As eleições presidenciais, parlamentares e legislativas no Gabão ocorreram recentemente, e Bongo buscava um terceiro mandato. A equipe do presidente rejeitou as alegações de fraude, mas a falta de observadores internacionais e as medidas tomadas pelas autoridades, como a suspensão de transmissões estrangeiras e o corte do serviço de internet, levantaram preocupações sobre a transparência do processo eleitoral.
Os militares anunciaram ainda que dissolveram as instituições do governo, incluindo o Senado, a Assembleia Nacional, o Tribunal Constitucional e o órgão eleitoral. Após o anúncio, o acesso à internet parece ter sido restaurado no país pela primeira vez desde as eleições.
A situação no Gabão está sendo observada de perto pelos países estrangeiros, pois o golpe representa mais um retrocesso democrático na região. Resta aguardar os desdobramentos e as reações internacionais diante dessa crise política no país africano.









