BRASIL – O ministro Mercadante enfatiza a importância de reflorestar a Amazônia para que o Brasil possa eliminar suas emissões.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, destacou nesta terça-feira a importância de um ambicioso projeto para restaurar e reflorestar 50 milhões de hectares da Amazônia. De acordo com Mercadante, essa iniciativa precisa ser financiada com recursos internacionais, pois demanda um grande investimento e teria um impacto significativo na luta contra o aquecimento global.

Mercadante ressaltou que o trabalho deveria começar nas terras devolutas, que são terras públicas sem destinação pelo Poder Público, muitas das quais estão sob posse irregular. Além disso, ele sugeriu que o projeto inclua partes de floresta produtiva, que gerem renda para as populações locais. Mercadante enfatizou que o BNDES já está trabalhando nesse assunto.

A proposta foi apresentada durante o seminário “Thinking 20, a Global Order for Tomorrow”, realizado no Rio de Janeiro. O evento teve como objetivo discutir o papel do T20, grupo responsável por reunir especialistas de diversas áreas para produzir documentos que subsidiem e influenciem recomendações e declarações finais do G20. O presidente do BNDES destacou que o Brasil deve liderar essa proposta e levar o debate aos fóruns internacionais do G20 e da ONU.

Segundo Mercadante, um projeto desse tamanho retiraria 65 toneladas de carbono do planeta, cumprindo não apenas a meta brasileira, mas também sendo a maior contribuição para reverter o quadro atual. Ele afirmou que os oito países da Amazônia devem se envolver na iniciativa e considerou fundamental o apoio financeiro internacional para garantir a sustentabilidade desse projeto.

O presidente do BNDES alertou que o aquecimento global provocará extremos climáticos devastadores e ampliará a desigualdade social. Ele ressaltou que os próximos anos serão os mais quentes da história e destacou a importância do Brasil se tornar o primeiro país do G20 a alcançar a emissão zero antes de 2030. Mercadante avaliou que a substituição da economia fóssil é um processo progressivo e que a mudança da matriz energética contribui, mas não é suficiente.

Além disso, Mercadante sugeriu que o T20 se concentre nos assuntos que serão debatidos e atue com mais foco e resultados práticos. Ele citou a regulação das plataformas digitais como uma questão importante, que, em sua visão, precisa de uma regulação democrática que garanta equilíbrio entre as nações. O presidente do BNDES manifestou preocupação com o impacto das ferramentas de inteligência artificial e a disseminação de fake news.

Mercadante ressaltou a importância da mobilização de investimentos para combater o aquecimento global, uma vez que a ONU não possui recursos suficientes. Ele enfatizou que o G20 deve ser um espaço para discutir questões financeiras sérias e que a academia também deve se envolver nas discussões.

O Brasil assumirá a presidência do G20 em dezembro deste ano e, antes disso, instalou o Comitê Organizador do T20 Brasil para mobilizar centros de pesquisa e think tanks que possam contribuir com os estudos e reflexões necessários para atingir os objetivos de desenvolvimento sustentável propostos pela Agenda 2030 da ONU.