BRASIL – O aumento da temperatura global nas últimas seis décadas é apontado como causa das frequentes ondas de calor.

As ondas de calor que atingiram diversas regiões do país nesta semana são resultado das mudanças climáticas ocorridas nos últimos 60 anos, de acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Segundo o estudo, nesse período, houve uma redução na quantidade de chuvas e um aumento nas temperaturas médias do país em 1,5°C.

Além disso, o estudo aponta a possibilidade de um aumento na frequência, intensidade e duração desses eventos climáticos extremos, como calor, seca e inundações. Essas mudanças têm impactado principalmente as regiões Nordeste, Norte e parte da Região Centro-Oeste, especialmente nas áreas que fazem divisa entre os estados do Pará e Tocantins, e entre o Maranhão e o Piauí, onde as temperaturas estão 1,5°C acima do normal.

Outro dado alarmante apresentado no estudo é o aumento das temperaturas durante as manhãs. Em algumas regiões, como Conceição do Araguaia (PA) e Palmas (TO), foi registrado um aumento de 2,6°C nas temperaturas matinais. Já nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, esse aumento é menos pronunciado. No sudoeste do Rio Grande do Sul, inclusive, foi observado um ligeiro resfriamento nas temperaturas (-0,2°C).

Em relação às chuvas, o levantamento mostrou uma redução significativa em toda a Região Nordeste. A estação de Cipó (BA), por exemplo, registrou uma queda de 685,8 mm no acumulado de chuva anual. Outras cidades como Parnaíba (PI) e Aracaju (SE) também tiveram reduções consideráveis, com valores de 599,5 mm e 505,9 mm, respectivamente. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, e em algumas áreas da Região Norte, também foram identificadas reduções menos intensas, variando entre 50 mm e 100 mm.

Em contrapartida, algumas regiões do país, como Sul, oeste da Região Norte e partes da Região Sudeste, apresentaram um aumento nas chuvas nos últimos anos, com valores entre 100 mm e 250 mm. Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Roraima e Acre foram os mais afetados por essas mudanças. Em cidades como Codajás (AM), Bambuí (MG) e Chapecó (SC), foram registrados aumentos expressivos de 741,9 mm, 590,2 mm e 509,1 mm, respectivamente.

É importante ressaltar que essas alterações climáticas têm impactos significativos na vida das pessoas e no meio ambiente, podendo comprometer a segurança alimentar, o abastecimento de água, a saúde pública e a biodiversidade. Ações e políticas públicas que visem a mitigar esses efeitos e promover a sustentabilidade devem ser cada vez mais incentivadas e implementadas no país.