BRASIL – Mauro Cid permanece mudo durante interrogatório na CPI da Câmara Distrital.

No depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro, optou por permanecer em silêncio diante dos questionamentos dos deputados. Cid fez uso de seu direito constitucional ao silêncio, argumentando que, como investigado, seguia a orientação de sua defesa técnica.

Assim como fez em julho, quando depôs perante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional, Cid compareceu fardado, utilizando o uniforme do Exército e mostrando todas suas condecorações visíveis. Ele foi convocado para depor como testemunha sobre os eventos de invasão e depredação do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e da sede do Supremo Tribunal Federal (STF) ocorridos em janeiro deste ano.

O presidente da CPI, deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF), ressaltou que, como testemunha, Cid tinha o dever de dizer a verdade, sob pena de incorrer em crimes previstos no Código Penal. No entanto, o advogado de Cid, Cezar Bitencourt, destacou que seu cliente não era apenas uma testemunha, pois estava envolvido nos fatos como investigado, o que lhe garantia o direito ao silêncio.

Cid está preso desde maio, acusado de envolvimento em um esquema de falsificação de cartões de vacina que beneficiaria seus parentes, incluindo o ex-presidente Bolsonaro e familiares. Além disso, ele responde a outros inquéritos relacionados aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de venda de joias dadas por autoridades sauditas a Bolsonaro e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Durante seu depoimento, Cid reiterou que ocupou diversos postos em seus 27 anos de serviço militar, incluindo funções fora do país, como observador militar das Nações Unidas no Chipre. Ele afirmou ter sido nomeado chefe da Ajudância de Ordens da Presidência da República diretamente pelo comando do Exército, ressaltando que sua nomeação não teve ingerência política.

Cid também defendeu que suas atribuições como ajudante de ordens do presidente se limitavam a prestar assistência direta e imediata nos assuntos pessoais do presidente, recebendo correspondências e objetos entregues e encaminhando-os aos setores competentes. Ele afirmou que sua função se resumia a um serviço de secretariado executivo do ex-presidente, não tendo conhecimento sobre o teor das agendas e reuniões.

Investigações da Polícia Federal indicam que parte das joias recebidas por Bolsonaro e seus assessores não foi corretamente apresentada ao setor responsável por catalogar os presentes dados aos presidentes. Segundo Cid, ele não tinha conhecimento desse processo e não questionava o que era tratado nas agendas e reuniões do ex-presidente.

Ao fim do depoimento, o tenente-coronel afirmou que estava à disposição da Comissão para esclarecimentos futuros, caso necessário. A CPI dos Atos Antidemocráticos segue investigando os acontecimentos de janeiro e demais eventos relacionados, buscando esclarecer os fatos e responsabilidades.