BRASIL – Expectativa é que a primeira emissão de títulos verdes alcance a marca de US$ 1 bilhão, impulsionando investimentos sustentáveis.

A primeira emissão de títulos públicos sustentáveis está prevista para superar US$ 1 bilhão, de acordo com o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. No entanto, ele não pôde informar o volume exato devido a questões de mercado.

Esses títulos são emitidos pelo governo federal no exterior e estão vinculados a compromissos com o meio ambiente. Diferentemente dos títulos convencionais, os investidores estrangeiros que adquirirem esses papéis receberão rendimentos de projetos sustentáveis, em vez de juros financeiros. As taxas de retorno dos títulos sustentáveis são estimadas entre 6,15% e 8%.

Curiosamente, essa será a mesma taxa de retorno do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, que foi relançado recentemente e receberá parte dos recursos provenientes das emissões dos títulos. O objetivo é incentivar o investimento em projetos sustentáveis e impulsionar a transição ecológica do país.

Inicialmente prevista para setembro, a emissão dos títulos sustentáveis teve sua data adiada para o segundo semestre ou possivelmente para o início de 2024, dependendo da “janela de mercado” mais favorável. O secretário Ceron afirmou que isso não seria um problema.

O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, ressaltou que esses títulos são aguardados pelo mundo e ajudarão a viabilizar o plano de transição ecológica do governo. Ele salientou que todos os requisitos legais foram cumpridos para o lançamento desses títulos.

Em relação ao risco cambial, Ceron afirmou que a operação não traria risco para o Brasil, mesmo sendo feita em dólares. Ele explicou que, caso ocorra uma desvalorização do real, as reservas internacionais do país se valorizariam e, consequentemente, a dívida líquida brasileira diminuiria.

Durante a reunião do Conselho Monetário Nacional, foi aprovada a regulamentação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima. Com R$ 10 bilhões previstos para financiar projetos sustentáveis, o fundo terá as mesmas taxas de retorno das emissões dos títulos verdes. Essas taxas variam de 6,15% a 8% e serão os rendimentos que os projetos financiados deverão gerar para o fundo.

No entanto, haverá exceções para projetos em áreas com menor demanda por recursos, como desenvolvimento sustentável de florestas nativas e proteção de recursos hídricos. Nesses casos, as taxas poderão ser de no mínimo 1%. A expectativa é que esses projetos de menor atratividade consumam apenas 8% dos recursos do Fundo Clima, enquanto os projetos mais atrativos, como transição energética, indústria verde e gestão de resíduos sólidos, consumirão os 92% restantes.

A resolução aprovada pelo Conselho Monetário Nacional entrará em vigor em 1º de setembro, impulsionando ainda mais os investimentos sustentáveis no país.