
BRASIL – Aumenta a Intenção de Consumo das Famílias no Brasil, segundo CNC. Nível atinge o maior patamar desde 2015.
Desde janeiro deste ano, o ICF tem apresentado crescimento mensalmente, mostrando que os brasileiros estão mais confiantes na hora de realizar compras. De acordo com a economista Izis Ferreira, responsável pela pesquisa, esse aumento na intenção de compra pode ser explicado pela recente queda da inflação e pelas melhorias observadas no mercado de trabalho. Cerca de 42,5% dos entrevistados afirmaram se sentir mais seguros em seus empregos em comparação ao ano anterior, o maior percentual desde março de 2015.
A analista da CNC destaca que o mercado de trabalho tem apresentado um aumento nas contratações formais, o que contribui para essa sensação de segurança no emprego. Além disso, a melhora na percepção sobre a renda atual também tem impulsionado a intenção de compra dos brasileiros nos últimos meses.
A pesquisa da CNC ouviu 18 mil consumidores e revelou que, dos sete quesitos que compõem o ICF, seis deles apresentaram queda em agosto. No entanto, no acumulado do ano, todos tiveram uma melhora significativa.
O endividamento ainda em um patamar elevado é uma preocupação apontada pela pesquisa. 40 a cada 100 consumidores afirmaram estar comprando menos do que no ano passado, o que demonstra uma limitação na capacidade de consumo. Esse cenário tem impactado as vendas no varejo, que têm enfrentado dificuldades em manter um crescimento uniforme em todos os segmentos.
A CNC ressalta que a queda no custo do crédito tem sido um fator positivo para o cenário econômico. Segundo dados do Banco Central, as taxas de juros médias em todas as modalidades de crédito com recursos livres tiveram uma redução de 0,8 ponto percentual em junho, atingindo os 59,1%, a primeira queda desde dezembro de 2022.
Esse comportamento foi refletido no ICF, com uma queda na proporção de consumidores que consideram mais difícil conseguir crédito nos últimos 12 meses e um aumento daqueles que acreditam que o acesso está mais fácil. A CNC acredita que a redução dos juros e da inadimplência nos próximos meses irá melhorar ainda mais o acesso ao crédito.
Para Izis Ferreira, a economista responsável pela pesquisa, as medidas de renegociação de dívidas, como o programa Desenrola Brasil lançado pelo governo federal, aliadas à queda dos juros, fornecerão as condições necessárias para que os consumidores tenham acesso ao crédito e possam consumir. Ela espera que o indicador de acesso ao crédito melhore até o final do ano, impulsionando a intenção de consumo.
Foi observado também um recuo no nível de endividamento das famílias brasileiras, conforme a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC no início de agosto. Esse foi o primeiro recuo registrado em sete meses.
Em resumo, a Intenção de Consumo das Famílias alcançou o seu maior nível desde 2015, impulsionada pela queda da inflação e pela melhora no mercado de trabalho. Apesar do endividamento ainda elevado, a redução dos juros e a expectativa de melhora no acesso ao crédito são fatores que devem impulsionar a intenção de consumo nos próximos meses.









