BRASIL – A União Africana suspende Níger um mês após o golpe militar, em retaliação à quebra democrática no país.

No último mês, um golpe militar ocorrido no Níger tem gerado preocupações entre aliados ocidentais e Estados democráticos da África. A União Africana (UA), em resposta a essa situação, decidiu suspender o Níger de todas as suas atividades e orientou seus membros a evitar qualquer ação que possa legitimar a junta.

A suspensão por parte da UA busca enviar uma mensagem clara de repúdio ao golpe militar e suas consequências. O temor é de que essa instabilidade política possa permitir que grupos islâmicos ativos na região do Sahel expandam seu poder e ofereçam à Rússia uma oportunidade para aumentar sua influência.

Além disso, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) tem tentado negociar com a junta, porém, caso os esforços diplomáticos falhem, está pronta para enviar tropas ao Níger a fim de restaurar a ordem constitucional.

A decisão da UA foi tomada em uma reunião do Conselho de Paz e Segurança no dia 14 de agosto e reforça o pedido para que os líderes do golpe libertem imediatamente o presidente eleito Mohamed Bazoum, que está detido desde o ocorrido, e retornem aos seus quartéis.

No entanto, os líderes do golpe resistem à pressão para renunciar e propuseram um cronograma de três anos para organizar as eleições, o que foi rejeitado pela Cedeao em uma posição firme adotada na segunda-feira.

A UA também expressou uma posição clara contra qualquer interferência externa na situação, seja por atores ou países de fora da África. Esse posicionamento inclui uma referência provável ao grupo mercenário russo Wagner, que tem atuado no país vizinho Mali.

A situação no Níger continua a ser monitorada pela comunidade internacional, que busca encontrar uma solução pacífica para a crise política que se instalou. A suspensão do país de suas atividades pela UA é mais um passo na busca pela restauração da ordem constitucional e o retorno à estabilidade na região.

É fundamental que as negociações diplomáticas sejam intensificadas para evitar que a situação se agrave e que a influência de atores externos coloque em risco a segurança e a estabilidade do Níger e da região do Sahel como um todo.