
BRASIL – De acordo com pesquisador, TVs devem refletir a diversidade racial brasileira em sua programação para promover inclusão.
Em entrevista à Agência Brasil, Richard Santos, que também é pró-reitor de extensão e cultura da Universidade Federal do Sul da Bahia, enfatiza que os veículos televisivos herdaram uma forma de fazer do rádio, mas não a pluralidade cultural que o veículo mais antigo protagonizou. Ele destaca que a gestão das TVs ainda é majoritariamente branca, o que prejudica uma efetiva pluralidade de representação nos meios de comunicação.
Santos acredita que é necessário regular os meios de comunicação para que se cumpra o que diz a Constituição. Para ele, a comunicação pública deve ser o caminho para uma mudança de cenários. Ele defende que apenas através da comunicação pública, a grande massa pode alcançar a emancipação e uma educação plural. A comunicação pública deve estar livre dos interesses comerciais e das disputas de poder, devendo estar a serviço da formação do país.
O pesquisador ressalta que a televisão no Brasil nasceu com uma predisposição de não valorizar o nosso povo. Enquanto a televisão argentina serviu para expandir a política da boa vizinhança, no Brasil ela afirmou uma cultura que se queria moderna, baseada nos valores e na estética norte-americana. A ascensão da televisão no país resultou no processo de branqueamento das grandes vozes do rádio, que passaram a ser substituídas por artistas produzidos de acordo com os interesses da indústria cultural.
Além disso, Santos destaca a influência das ditaduras militares latino-americanas na comunicação, silenciando os movimentos sociais e oprimindo a necessidade de desenvolvimento social. Ele afirma que, apesar dos avanços conquistados com a Constituição de 1988, é necessário regulamentar a pluralidade do corpo midiático e proibir a propriedade cruzada e os oligopólios.
Em resumo, o professor Richard Santos alerta para os efeitos prejudiciais da televisão no apagamento das raízes, da cultura e da pluralidade racial no Brasil. Ele defende a necessidade de uma regulamentação dos meios de comunicação e destaca o papel da comunicação pública na formação de uma nação plural e emancipada. Como resposta a essa problemática, acredita que é necessário promover uma mudança de cenários no Brasil.









