BRASIL – Brics: entenda o funcionamento deste bloco econômico em apenas 25 palavras.

O grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, conhecido como Brics, realiza sua 15ª reunião nesta semana, em Joanesburgo, África do Sul. O encontro terá a presença dos chefes de Estado de quatro países, uma vez que o presidente russo, Vladimir Putin, enviou representantes devido à guerra na Ucrânia.

O Brics, que representa 26% do Produto Interno Bruto (PIB) global, não possui um critério formal de filiação, mas funciona de maneira semelhante ao G7, grupo das sete maiores economias do planeta. Nos últimos anos, o Brics vem ganhando força ao promover acordos de cooperação mútua e constituir um banco de desenvolvimento, presidido atualmente pela ex-presidenta Dilma Rousseff.

Nascido em 2001 com o acrônimo Bric, o grupo foi criado para designar economias emergentes com alto potencial de crescimento no século 21. Somente em 2006, os quatro países oficializaram o fórum de discussões durante a Reunião de Chanceleres organizada à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Após um período em que apenas ministros de Relações Exteriores se encontravam, o Bric promoveu sua primeira reunião de chefes de Estado em 2009, na Rússia. Em 2011, a África do Sul foi incluída no grupo, que passou a se chamar Brics.

Um dos principais marcos do Brics ocorreu em 2014, com a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), também conhecido como Banco do Brics. A instituição financia projetos de infraestrutura e crescimento sustentável nos países-membros e já emprestou US$ 33 bilhões para 100 iniciativas.

Além disso, foi formado o Fundo de Reservas do Brics, com o intuito de preservar a estabilidade financeira dos países em tempos de crise. O fundo, que nasceu com US$ 100 bilhões, conta com contribuições da China, Brasil, Índia, Rússia e África do Sul.

Nos últimos anos, o NBD expandiu-se e passou a permitir a adesão de países do chamado “sul global”. Bangladesh, Egito e Emirados Árabes Unidos já ingressaram no banco e o Uruguai está prestes a integrar a instituição.

Apesar do crescimento do Brics na economia global, este crescimento não é homogêneo entre os países-membros. China e Índia têm apresentado crescimento médio de 6% ao ano, enquanto o crescimento do Brasil, Rússia e África do Sul tem sido de apenas 1% ao ano.

Além das questões financeiras, o Brics também oferece oportunidades para o aumento do comércio entre os países-membros. O Brasil exporta alimentos, minérios e tecnologia para extração de petróleo, enquanto tem acesso a minérios raros e tecnologias emergentes desenvolvidas pela China.

O encontro do Brics ocorre em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia e ao debate sobre a possível ampliação do grupo. Embora não tenha sido divulgada uma lista oficial de países interessados em ingressar no grupo, cerca de 40 nações manifestaram interesse, e diferentes listas com 18 candidatos passaram a circular nos últimos dias.

A decisão sobre a inclusão de novos membros e a eventual ampliação do acrônimo Brics precisa ser tomada por consenso entre os cinco integrantes atuais.

Dessa forma, a reunião do Brics representa um momento importante para a consolidação do grupo e para a discussão de estratégias conjuntas em um cenário global de incertezas. Além disso, o encontro oferece oportunidades para o fortalecimento das relações comerciais e de cooperação entre os países-membros.