
BRASIL – Festival no Rio comemora dia do orgulho lésbico em grande estilo, promovendo inclusão e valorizando diversidade.
De acordo com Camila Marins, fundadora e editora da Revista Brejeiras e uma das organizadoras do evento, a intenção é conseguir mais visibilidade nas políticas públicas e garantir que o orçamento e as ações sejam voltados para a comunidade lésbica. Marins ressalta a importância da luta das lésbicas pelos seus direitos ao longo dos anos e destaca a necessidade de continuar enfrentando a violência do Estado, a militarização, o discurso de ódio e a desinformação.
A data do orgulho lésbico, celebrada em 19 de agosto, remete ao Levante do Ferro’s Bar, ocorrido em 1983, que é conhecido como o Stonewall brasileiro. Na época, lésbicas organizadas no Grupo de Ação Lésbica Feminista enfrentaram a censura, a perseguição e a violência policial ao serem impedidas de distribuir o jornal chachacomchana no bar. Elas decidiram invadir o Ferro’s Bar para denunciar as violações sofridas e contar com o apoio de outras organizações de direitos humanos e movimentos negro e feminista.
Uma das demandas das organizadoras do evento é a aprovação do projeto de lei Luana Barbosa, que propõe medidas de enfrentamento ao lesbocídio no Rio de Janeiro. O projeto, que prevê a criação do Dia Estadual de Enfrentamento ao Lesbocídio, está parado tanto na Câmara Municipal quanto na Assembleia Legislativa. Luana Barbosa foi vítima de violência policial e brutalmente espancada até a morte em 2016, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.
A revista Brejeiras destaca a preocupação com a violência sofrida pelas mulheres lésbicas, especialmente as negras, e ressalta a importância de políticas públicas que garantam a proteção dessas vidas. Segundo o Dossiê sobre Lesbocídio no Brasil, elaborado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), pelo menos 135 lésbicas foram assassinadas entre 1983 e 2013. Os números têm aumentado ao longo dos anos, com um crescimento de 80% nos casos registrados entre 2016 e 2017. Em 2022, o GGB já registrou oito mortes violentas de lésbicas.
Para participar do Festival do Orgulho L, é necessário obter um convite gratuito pela internet. O evento promete ser uma celebração marcante da luta e da resistência das mulheres lésbicas, além de uma oportunidade para reivindicar direitos e ampliar a visibilidade da comunidade. A programação conta com diversas atividades e a presença de diferentes grupos e coletivos engajados na causa.









