
BRASIL – Lula e Rosa Weber expressam tristeza pela perda de importante líder quilombola baiano.
Lula, através das redes sociais, expressou seu pesar e preocupação ao tomar conhecimento do crime. Ele ressaltou que Bernadete Pacífico era uma defensora da justiça em relação ao assassinato de seu filho, ocorrido em 2017. Bernadete era secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial na cidade de Simões Filho, e o governo federal enviou representantes para acompanhar o caso e aguarda uma investigação rigorosa.
A ministra Rosa Weber, que havia se encontrado com Bernadete menos de um mês antes, lamentou profundamente a morte da líder quilombola. Ela ressaltou que a violência enfrentada pelos quilombolas é alarmante e que o crime precisa ser rapidamente esclarecido, com os responsáveis sendo devidamente punidos e os familiares de Bernadete e outras lideranças locais protegidos.
Rosa Weber ressaltou que é extremamente preocupante que os quilombolas ainda vivam em situação de extrema vulnerabilidade em suas próprias terras, considerando a luta dos seus antepassados para escapar da escravidão.
A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que dois homens com capacetes entraram na casa de Bernadete e efetuaram disparos com armas de fogo. A polícia solicita que qualquer informação sobre o caso seja fornecida de forma anônima para o Disque Denúncia, através do telefone 181.
Bernadete era também coordenadora-executiva da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). Essa organização já vinha denunciando ameaças e perseguições aos moradores do Quilombo Pitanga dos Palmares. Existe a suspeita de que a disputa por terra e água está sendo o motivo da violência contra as lideranças locais.
Um levantamento realizado pela Rede de Observatórios de Segurança mostrou que a Bahia é o segundo estado com mais ocorrências de violência contra povos e comunidades tradicionais no Brasil, ficando atrás apenas do Pará. Entre 2017 e 2022, foram registradas 428 vítimas de violência no estado.
O assassinato de Bernadete Pacífico chama atenção para a necessidade de medidas efetivas de proteção às comunidades quilombolas e de uma investigação rigorosa para que os responsáveis sejam punidos. Além disso, reacende o debate sobre a questão da violência enfrentada por povos e comunidades tradicionais em todo o país.









