
BRASIL – IBGE propõe reclassificação territorial em censo nacional.
De acordo com o IBGE, o objetivo desse estudo é levantar a discussão acadêmica e institucional sobre as características que definem os espaços rurais, urbanos e da natureza. Vale ressaltar que essa é apenas uma proposta experimental, e que uma investigação posterior será realizada com base nos dados do Censo 2022, cujos resultados já começaram a ser divulgados no final de junho.
A classificação dos diferentes espaços do território nacional é fundamental para subsidiar planejamentos territoriais no Brasil. Além disso, serve como base para a formulação de políticas públicas e privadas, bem como para o desenvolvimento de pesquisas.
A nova proposta do IBGE divide os espaços em três categorias principais: urbano, rural e natureza, que por sua vez são subdivididas em 16 tipos diferentes. Quatro desses tipos seriam tipicamente urbanos, quatro rurais, quatro naturais e as outras quatro representariam áreas de transição que podem mesclar características de duas ou das três categorias.
Segundo a gerente de Regionalização e Topologias do Território do IBGE, geógrafa Maria Monica O’Neill, o objetivo não é substituir a classificação vigente, mas sim oferecer uma alternativa que represente melhor as dinâmicas operadas no território nacional e incorpore novos dados e metodologias.
Uma das novidades dessa proposta é a inclusão de uma categoria para os espaços da natureza, visando contornar a dicotomia entre rural e urbano, que é tema de debate entre geógrafos. Na classificação atual, essas áreas naturais podem aparecer designadas de diferentes formas, podendo ser consideradas como espaços rurais ou até mesmo áreas verdes urbanas de baixa densidade.
A proposta também sugere uma abordagem em nível municipal, utilizando uma classificação por área de ponderação, que é um recorte territorial menor do que o município. Com base nessa proposta, os espaços com grau de urbanização entre 75% e 100%, que incluem as capitais brasileiras, são enquadrados como “áreas urbanas principais das grandes e médias concentrações urbanas”. No entanto, essas áreas ocupam apenas 0,4% do território nacional.
A partir da nova classificação, a equipe do IBGE identificou mudanças territoriais significativas, como o avanço da fronteira agrícola em estados como Rondônia, Tocantins e no sudeste do Pará. Na região Centro-Oeste, também foi observado um aumento das áreas de produção da agropecuária em detrimento das áreas naturais. No Nordeste e no norte de Minas Gerais, foram identificados tipos variados de transição, combinando características urbanas, rurais e naturais.
Em suma, a proposta do IBGE para uma nova classificação dos espaços do território nacional tem como objetivo oferecer uma alternativa que melhor represente as dinâmicas territoriais do país, incorporando novos dados e metodologias. Essa é uma proposta experimental que busca gerar discussões acadêmicas e institucionais sobre o tema, e que será aprofundada com base nos dados do Censo 2022.









