TRANSPORTE PÚBLICO – Empresários usam sindicato para chantagear Prefeitura de Maceió

Encontro entre trabalhadores e empresários
Encontro entre trabalhadores e empresários

Trabalhadores rodoviários articulam mais uma possível greve, essa que prejudica diversos setores na capital. O motivo seria a negativa de reajuste salarial imposto aos empresários do transporte público. Sem reajuste desde 2019, os rodoviários pedem um aumento de 23% nos salários e no ticket alimentação e não abrem mão disso.

A contrapartida dos empresários foi um reajuste parcelado, sendo 5% pagos agora e mais 5,25% somente em setembro. Eles afirmam que com o reajuste do subsídio proposto pela Prefeitura de Maceió, que aumentaria R$ 2,5 milhões para R$ 4,5 milhões, eles só poderiam arcar com o que foi proposto, descartando qualquer avanço nesta questão.

Esse fato causou estranhamento e aumentou a insatisfação dos trabalhadores, já que o reajuste proposto pela Prefeitura para o subsídio praticamente aumentou em 100% seu valor e, mesmo assim, eles alegam a impossibilidade de conceder o reajuste pedido pelos rodoviários.

A Prefeitura de Maceió, com a linha azul, possibilitou aumento da velocidade e de viagens dos transportes. Isso quer dizer, que os empresários estão transportando mais usuários com frota menor. Consequentemente, esse fato geraria mais lucro às empresas, que também extinguiriam o cargo de cobrador. 

“Eles [os empresários] usam o sindicato para atingir, chantagear, a prefeitura. Quando os funcionários param, as empresas só voltam a circular com reajustes, prejudicando também os cofres públicos da capital. Tornam o prefeito refém de suas exigências”, destacou uma fonte ao A Notícia.

Em nota enviada ao A Notícia, o SINTURB esclareceu alguns fatos. Confira:

”Nesta sexta-feira (18), o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Maceió (Sinturb) voltou a realizar uma rodada de negociações com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado de Alagoas (Sinttro-AL) sobre a data-base 2022.

As empresas explicaram aos rodoviários que os constantes reajustes no preço do diesel, que impactam também nos custos operacionais (peças, pneus, etc), seguem fragilizando o setor. Como exemplo, foi ressaltado que somente no dia 10 de março, o aumento foi de 25%, e que existem indicativos de que mais reajustes estão por vir nos próximos dias, tendo em vista que há uma defasagem de 9% no preço do diesel, de acordo com a Abicom.

Também foi ressaltado o fato de que ainda não houve uma recuperação completa no número de passageiros, que vem caindo desde 2014 e foi acentuado fortemente em razão da pandemia de Covid-19. Desta forma, os subsídios repassados pelo órgão gestor não têm surtido o efeito necessário no equilíbrio econômico-financeiro do setor, não conseguindo ao menos cobrir os custos da frota com diesel.

Aos rodoviários, foi feita a proposta de um reajuste de 10,25%, sendo 5% em março e 5% em setembro. Com isto, seria possível equiparar o valor à inflação e tornaria o salário da categoria o maior do Nordeste, somado aos benefícios. Os empresários lembraram ainda que a tarifa em Maceió é a mais barata do país, e que não há reajuste desde o ano de 2018.

Apesar do explanado, os rodoviários se mostraram insatisfeitos, alegando que a proposta não seria aceita pela categoria. Foi marcada uma nova reunião para a próxima terça-feira (22), e de antemão, o Sinturb esclarece que qualquer movimentação no sentido de greve prejudica não somente o setor do transporte coletivo, mas toda a população de Maceió que depende dos ônibus para trabalhar e estudar, entre outras necessidades essenciais”.