
Lava Jato: Collor pode ter recebido dinheiro do tráfico de drogas
Delator da Operação Lava Jato, o doleiro Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, foi um dos oito presos nesta terça-feira, 15, em mais uma etapa da Operação Lava Jato, intitulada Efeito Dominó. Ele já havia delatado parlamentares conhecidos e estaria em uma rede que repassaria dinheiro do tráfico de drogas a políticos.
Ceará fechou um acordo de delação premiada com Procuradoria-Geral da República (PGR) e que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele trabalhava com o doleiro Alberto Youssef e foi detido como parte da operação em seis estados e no Distrito Federal.
Anteriormente, Ceará havia relatado ter feito entregas de dinheiro aos senadores Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Aécio Neves (PSDB-MG), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O que ele escondeu era a sua ligação com a lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas, o que pode fazê-lo perder os benefícios de sua delação.
De acordo com o delegado da Polícia Federal, Roberto Biasoli, responsável pela operação de terça-feira, 15, há fortes indícios de que dinheiro em espécie, oriundo do tráfico de drogas, estaria indo parar na mão de políticos.
“Só pelo que nós conseguimos levantar com o material apreendido, do ano de 2014 a 2017, teriam sido negociadas 27 toneladas de cocaína, isso com um lucro de aproximadamente US$ 140 milhões”, afirmou Biasoli, referindo-se ao esquema comandado por Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, um dos maiores traficantes da América do Sul e que foi preso em 2017.
Ceará e os demais presos teriam relação direta com Cabeça Branca, atuando tanto junto a políticos quanto a traficantes. Em 2014, o doleiro relatou ter levado dinheiro a Collor, Aécio, Renan e Randolfe – os três primeiros negaram o repasse, o último sequer foi investigado porque Youssef desmentiu o ex-parceiro.
A operação
Batizada de Efeito Dominó, a ação também é um desdobramento da Operação Spectrum, deflagrada em 2017. Na ocasião, Luiz Carlos da Rocha – o Cabeça Branca, um dos maiores traficantes da América do Sul, segundo a PF – foi preso em Sorriso (MT). Cabeça Branca foi procurado por 30 anos pela PF e pela Interpol. Ele fez várias cirurgias plásticas para mudar o rosto.
De acordo com a PF, a investigação policial apontou uma “complexa e organizada estrutura” destinada à lavagem de recursos provenientes do tráfico internacional de entorpecentes.
O delegado Roberto Biasoli afirmou que as pessoas presas na terça-feira formam o “núcleo principal” da organização ligada ao Cabeça Branca. Biasoli explicou que quase todos os presos tinham acesso ao Cabeça Branca, e que o contato com ele era restrito. Os presos, segundo Biasoli, são doleiros e lavadores de dinheiro.
Conforme o delegado, Ceará e Cabeça Branca passaram a atuar juntos a partir de 2016. Antes, em 2013, Ceará já trabalhava para traficantes, ainda de acordo com o delegado. De acordo com a decisão do juiz Nivaldo Brunoni, da 23ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, as prisões foram decretadas porque a prática dos crimes investigados “permite conclusão da existência de risco de reiteração delitiva e, por conseguinte, risco à ordem pública”.

