
Kelmann discorda com candidatura de Rui: “Há muito o que se fazer por Maceió”
Natural de Arapiraca (AL), o delegado da Polícia Civil, Kelmann Vieira de Oliveira assumiu o seu primeiro mandato em 2013 com um discurso voltado para a área de Segurança Pública. Após receber 8.249 votos em sua primeira campanha eleitoral, o vereador foi reeleito, em 2016, com a proposta de ampliar um debate qualificado voltado para a redução da violência.
No biênio 2013/2014 foi eleito 1º secretário da Mesa Diretora da Câmara e no biênio 2015-2016 foi eleito presidente da Câmara Municipal de Maceió. Em 2016, filiou-se ao PSDB. O parlamentar foi reeleito para mais um mandato de presidente da Mesa Diretora para o biênio 2017-2018.
Há alguns dias antes da eleição da Mesa da Câmara, você tinha uma situação sob controle, praticamente uma unanimidade. O que houve presidente? Por que a sua eleição foi objeto de uma ação judicial promovida por alguns vereadores?
É verdade. Quem vive no mundo politico sabe que a qualquer momento se pode mudar a conjuntura e, de fato, eu tinha uma condição que todos, por unanimidade, me aclamavam presidente da Câmara.
Tanto que a mudança do regimento que se deu lá atrás não houve nenhum voto contrário. Mas, quando se aproximou da eleição, e aí já são bastidores do dia a dia, e a população entende o porquê da eleição ter ido à Justiça, mas houve uma racha no grupo. Eu era presidente das duas chapas.
Houve a tentativa de um golpe?
Não. Eu estava muito tranquilo. Tanto de um grupo quanto do outro. Eles me colocavam na condição de presidente, mas não tinha como servir a dois grupos. E teve o momento, em que tive que deixar claro para o grupo que estava se formando que eu não tinha condições de representá-lo, até porque o que eu estava desde o começo foi o grupo que sempre me apoiou na Casa. Então foi um momento difícil pra mim, porque graças a Deus eu faço uma gestão compartilhada com muita transparência, seja questão administrativa ou da parte financeira da Casa. Então eu tenho o respeito de todos, mas chega um momento que eu tinha que tomar uma decisão. Não tinha como ser candidato de dois grupos.
Hoje você é um dos principais nomes do PSDB em Alagoas. Qual a sua preferência para uma possível disputa no Senado, entre o prefeito Rui Palmeira e o ex-governador, Teotonio Vilela?
Todos sabem e, não é de hoje, que eu entrei na política pelo PMDB, partido da minha esposa. Mas, no momento em que o prefeito Rui precisou que eu fosse para o PSDB, pela lealdade que eu tinha a ele, por tudo que ele tinha demonstrado comigo, eu saí do PMDB e fui para o PSDB. O ex-governador Teotonio tem se mostrado forte nas pesquisas. Ele está sempre em primeiro ou segundo para o Senado. Rui tem falado de forma acertada que precisa administrar Maceió e não pensar em eleição de 2018. E tomou essa decisão acertada, não tem entrado nesse jogo, nesta antecipação de eleição do ano que vem. Mas, hoje tenho um alinhamento político mais com o prefeito.

O PSDB está projetando nomes para as eleições de 2018 e um dos nomes é o seu. Você toparia disputar uma vaga para a Assembleia Legislativa?
Todo mundo sabe que sou casado com a Flávia, que foi deputada duas vezes. Há a possibilidade dela se candidatar e não penso em uma candidatura neste momento. Estou muito feliz na Câmara, tenho a responsabilidade de conduzir a Casa até 2020. Alguns amigos meus, vereadores, são candidatos a deputados estaduais e federais. Tenho compromisso de ajudá-los dentro das minhas possibilidades. São pessoas que não fiz somente uma relação política, mas de amizade, como vereador Dudu Ronalsa, Samir Malta, Fátima Santiago. Pessoas que estamos no dia a dia discutindo política. Como presidente eu tenho condição de ajudá-los, ajudar o partido. Meu momento é mais para frente, quero continuar ajudando Maceió. Agora é momento de união, passamos por uma crise política e econômica, mas a gente vê que tem setores da política que querem antecipar uma possível candidatura do prefeito Rui. Outros dizendo que se não tiver uma candidatura de oposição é ruim. Então, a gente vê que muitos só pensam em seus mandatos e esquecem o que é o melhor para Maceió e pro Estado. E nesse momento é muito ruim a gente antecipar 2018.
Foi dado no parlamento um pedido de criação da CPI do Lixo, como anda o pedido?
Tramitou pela presidência e a gente sabe que pelo regimento interno para se criar uma CEI precisa de sete assinaturas e são sérias denúncias. Eu despachei o processo para a Comissão ver o que ela pode fazer regimentalmente, mas a população pode ter certeza que na Câmara, nada será escondido para debaixo do tapete. A gente encaminha para as comissões. Se tiver que fazer ofício para o Ministério Público, será encaminhado. A gente não compactua com nenhum tipo de irregularidade.
Como delegado, qual político ladrão de Alagoas vocês gostaria de colocar atrás das grandes?
Atuei, como delegado, em diversos crimes políticos no estado. Mas, antes de pedir a prisão, sempre tinha que ter provas e indícios suficientes. Hoje, sou político. Jamais serei irresponsável de condenar alguém sem investigação. Não quero inocentar ninguém, mas é preciso analisar cada caso. Político com provas legais julgado pela Justiça e denunciado pelo Ministério Público tem que ir para cadeia.
Que nota você daria à administração de Rui Palmeira?
Dou 9. O prefeito é uma pessoa preparada assim como o governador do Estado, Renan Filho. Existe muito o que se fazer em Maceió e sabemos da dificuldade que Rui Palmeira passa. É um bom gestor e tem propostas. Sobre os pardais eletrônicos, se eu fosse o prefeito não instalaria os radares.


